São Paulo, 16 (AE) - O Instituto de Criminalística (IC) deverá entregar na próxima semana o laudo com o resultado do exame realizado em duas fitas de vídeo com cenas gravadas durante o churrasco e o trote dos calouros da Faculdade de Medicina, da Universidade de São Paulo, no dia 22 de fevereiro. As fitas foram mandadas para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por pessoas que alegaram ter interesse no esclarecimento da morte do calouro Edison Tsung Chi Hsueh, de 22 anos.
O delegado Marcelo Damas, que preside o inquérito, e a promotora Eliana Passarelli esperam encontrar provas que permitam identificar os veteranos mais violentos no trote. Por meio dos veteranos a polícia e o Ministério Público não têm dúvidas em afirmar que poderão chegar aos envolvidos, direta ou indiretamente, na morte de Hsueh. Eliana espera que as fitas não tenham sido editadas.
Ela continua afirmando ter ocorrido um assassinato nas dependências da Associação Recreativa Osvaldo Cruz e não um afogamento simples. "Pelas cartas que alguns alunos mandaram para a direção da faculdade, reclamando do trote, dá para perceber o grau de violência de muitos dos veteranos que obrigaram os calouros a se jogar na piscina e pisavam sobre as mãos daqueles que não sabiam nadar e tentavam se amparar na borda e sair da água".
Ela também vai apurar os casos de embriaguez dos calouros e o uso de lança-perfume ou drogas durante o churrasco e trote. O material apreendido na tarde de ontem na sede da associação - disquetes de computador, CPU, álbuns com fotografias, fitas de videocassete, fichas de inscrição dos calouros, veteranos e da composição da diretoria - está sendo analisado.
O delegado Damas pretende ouvir a partir de segunda-feira mais calouros. Ele contou hoje ter uma relação de nomes de estudantes acostumados a aplicar o trote violento. "Sabemos quem são e vamos ouvi-los por último", adiantou. O policial não afirma ter ocorrido um assassinato, mas acha estranho a morte do calouro. "O rapaz não bebia, não usava drogas, não sabia nadar e com tanta gente na piscina é impossível que ninguém o viu pedindo ajuda". Dúvida - O médico-legista Carlos Delmonte, que assina o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) da morte de Hsueh, afirmou que o documento não é conclusivo no aspecto jurídico. Segundo ele, o laudo não entra na questão do homicídio. "Não é competência do médico-legista esse tipo de conclusão.
Delmonte não descarta a possibilidade do calouro ter sido espancado. "No exame não encontrei nada que mostrasse essa conclusão". O legista adiantou que o laudo descreve "ação contundente" constatada na coxa e no contorno posterior do abdome. "Não há como definir se tal ação foi provocada por uma batida num canto de mesa, soco ou pontapé". Fez questão de repetir que espancamento não é diagnóstico do laudo e os hematomas encontrados ocorreram 24 horas antes da morte.

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