São Paulo, 24 (AE) - A contratação de funcionários "fantasmas" pela Anhembi Turismo para uso em campanhas eleitorais e a serviço de políticos está sendo investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. Os indícios de uso eleitoral da Anhembi foram obtidos com a apreensão de listas eleitorais, crachás e manuais do PPB por policiais na sede da empresa, depois que o Estado revelou a remoção secreta de documentos do departamento de recursos humanos, no começo do mês.
A partir da divulgação da lista de funcionários pela polícia e o Ministério Público, comprovou-se a utilização da Anhembi como cabide de empregos de parentes de políticos - a mulher, o filho e o irmão do agora deputado estadual Hanna Garib (suspenso do PPB), entre outros - e até mesmo do motorista da primeira-dama, Nicéa Pitta, e de parentes da secretária particular do ex-prefeito Paulo Maluf.
Na semana passada, o Estado também revelou que a vereadora Maeli Vergniano (ex-PPB) "nomeou" três funcionários para a Anhembi que, na verdade, prestavam serviços em seu gabinete na Câmara. Um deles dedicava-se exclusivamente a catalogar todas as igrejas da Assembléia de Deus da cidade para a futura campanha eleitoral da vereadora.
O delegado Itagiba Franco, responsável pelo inquérito da Anhembi, já dispõe de uma lista com dezenas de nomes de pessoas indicadas por políticos. Todas elas serão convocadas a prestar depoimento. "Há fortes indícios de que a empresa seja usada com propósitos políticos", afirmou o delegado.
O exercício ilegal de funções na Administração Regional da Vila Mariana por funcionários "nomeados" pelo vereador Bruno Feder (sem partido) é mais um exemplo comprovado do loteamento da administração pública nos governos Paulo Maluf e Celso Pitta.
Em troca de apoio na Câmara, vereadores receberam o direito de indicar dezenas de cargos em regionais, delegacias de ensino, creches, módulos do PAS e em empresas como Prodam e Anhembi. Tudo sob total conhecimento dos prefeitos.
Crime - Na sexta-feira, Pitta - já em guerra declarada contra Maluf - admitiu em visita à AR-Vila Mariana o loteamento do poder. Ao responder ao presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Carlos Alberto Accunzo, sobre os resultados práticos de suas visitas às administrações regionais, Pitta foi enfático: "Hoje já não existe aquela interferência política que em vez de ajudar atrapalhava."
Os funcionários de Feder que se passavam por funcionários da regional cometeram crime, segundo avaliação do advogado Carlos Ari Sundfeld, especialista em direito administrativo. "Em tese, os funcionários cometeram crime de usurpação de função pública, por exercer sem legitimidade um cargo para o qual não foram nomeados", afirmou.
A pena para esses casos varia de três meses a dois anos de detenção. Caso tenham obtido vantagens com o exercício do cargo público, a punição é maior: de dois a cinco anos de reclusão.
Os funcionários também podem vir a responder por improbidade administrativa e perder direitos políticos como o voto, além de ser obrigados a devolver as quantias conseguidas de forma ilícita.
O vereador Feder não foi localizado para comentar as denúncias envolvendo seu nome. O assessor de imprensa de Feder, Roberto Viegas, informou que o vereador está fora de São Paulo e que não seria possível um contato.

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