MP e polícia investigam pedofilia e prostituição infantil em Sapopema
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Sapopema - Uma suposta rede de exploração de prostituição infantil e pedofilia em Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio) está sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público. Pelo menos quatro meninas de 10 a 14 anos estariam sendo exploradas por pessoas da cidade. O caso contaria com 13 suspeitos de envolvimento, além de supostas cafetinas, e foi descoberto em dezembro. As autoridades não quiseram manifestar-se porque o inquérito está sob segredo de Justiça.
Duas vítimas estão sob a guarda do pai e outras duas em um abrigo na cidade. O caso foi levantado pelo Conselho Tutelar de Sapopema, que posteriormente encaminhou a denúncia para a Promotoria e a Delegacia. Um pedreiro de 47 anos é pai de duas das supostas vítimas. Ele contou à reportagem da FOLHA que só descobriu o envolvimento das filhas quando foi avisado pelos conselheiros tutelares.
A então esposa de Silva alegou que preferiu não contar o caso para o marido porque ele sofre de problemas no coração. Após o episódio, o casal separou-se. Ele revela que a filha mais velha, de 14 anos, negou envolvimento, mas a outra, de 10, teria confirmado. Segundo integrantes do Conselho Tutelar, a menina de 14 anos teria voltado na denúncia. ''Acredito que a Justiça faça isso (puna os responsáveis) e que não precise a gente fazer'', declarou Silva.
A conselheira tutelar Lidinês Lopes Farias, que ocupava o cargo de presidente do órgão quando chegaram as denúncias, revela que exames médicos teriam constatado os abusos. As jovens, segundo ela, tinham o costume de ficar sozinhas nas ruas da cidade à noite. E teriam sido aliciadas para fazer programas pelos quais receberiam pagamento que variava entre R$ 10,00 e R$ 50,00. E que os pais das jovens não desconfiavam que as filhas se prostituíam.
Fotos da sede do Conselho Tutelar revirada e os registros policiais também fazem parte da papelada encaminhada à Justiça. Também fazem parte das provas cópias de fotos de adolescentes nuas. Segundo testemunhas, que preferiram ter a identidade mantida sob sigilo, cópias dessas fotografias circularam pela cidade.
A apuração resultou em ameaças. Lidinês registrou dois boletins de ocorrência - um por ameaça e outro por danos ma teriais e agressão - por um dos supostos envolvidos no caso de pedofilia e prostituição infantil. ''Ele me agrediu verbalmente e deu murros na minha cabeça. E disse que era porque eu levei o nome dele ao Fórum'', comentou. A reportagem procurou o suposto agressor da conselheira tutelar, mas foi informada pelo filho dele que o suspeito preferia não prestar declarações.
O delegado de Curiúva Wilson Ronaldo Rony de Oliveira Santos, que responde também por Sapopema, confirmou que um boletim de ocorrência por danos ao patrimônio público e por agressão foi registrado na cidade. Ele disse ainda que não poderia passar mais informações sobre o caso por causa do segredo de Justiça.
A promotora Giseli Batista de Melo foi procurada no Fórum de Curiúva, mas informou, por meio da assessoria de imprensa do Ministério Público, que não se pronunciaria também devido ao segredo de Justiça, decretado devido ao envolvimento de menores de idade no caso.


