Duas mortes e uma série de denúncias contra a Clínica Psiquiátrica de Londrina (CPL) e a Villa Normanda Psiquiátrica Comunitária, ambas localizadas no Jardim Shangri-lá, Zona Oeste, e pertencentes ao mesmo grupo médico, estão sendo investigadas pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil.
De acordo com familiares de pacientes, que prestaram declarações ao promotor de Defesa de Saúde Pública, Paulo Tavares, e que concederam entrevista à FOLHA, os internos das clínicas sofrem maus-tratos e são submetidos a condições precárias de higiene. Duas mortes são investigadas pela polícia como homicídios ocorridos dentro da CPL. Dorival Jesuíno Silva, 59 anos, morreu no dia 31 de janeiro no Hospital Evangélico. ''Ele faleceu depois de ser agredido na clínica. Fui até lá, conversei com internos que confirmaram as agressões'', afirma o promotor. Em setembro de 2009, Deisi Maria Maistrovicz, 48, deu entrada no Hospital Universitário (HU) com quadro de traumatismo craniano depois de ser socorrida pelo Samu na clínica. Ela morreu no hospital.
Com receio, a irmã de Deisi, que pede para ser identificada apenas como Nádia, conta que já havia um histórico de agressões contra a sua irmã na clínica. ''Ela já havia sido levada ao HU por ter sido agredida. Na última vez, que causou a morte, a informação que recebi de funcionários é de que a agressão teria partido da companheira de quarto'', conta.
De acordo com Tavares, existiria na CPL o ''G8'', um grupo formado por pacientes mais fortes que seriam incumbidos pela direção de usar a força física contra outros pacientes, já que faltam enfermeiros e auxiliares do sexo masculino. A mãe de um paciente de 40 anos, que sofre de esquizofrenia, confirma a existência do grupo.
Uma senhora de 81 anos, mãe de uma paciente de 54, afirma que além das agressões, a falta de higiene também preocupa. ''Na última internação, minha filha pegou tanto piolho lá que tiveram que raspar a cabeça dela. Quando ela teve uma crise há 10 dias eu não quis levá-la para aquele lugar. Então ela fugiu de casa. Estou aflita'', comenta. ''Há também casos de relações sexuais de internos homens com internas mulheres. Depois elas tomam pílula do dia seguinte'', completa a senhora. O promotor confirma essas acusações.
Boa parte das denúncias recebidas pelo MP foram reunidas pela Associação Londrinense de Saúde Mental, que defende os direitos dos pacientes e prefere não dar nomes por temer represálias. ''É preciso haver uma interferência mais dura. Alguma providência precisa ser tomada, porque só com a voz dos usuários não teve mudança nenhuma'', desabafa um membro da entidade.
A CPL é a única de Londrina e região que atende pacientes do SUS: seriam 65 leitos para dependentes químicos, 200 para pacientes psicóticos e dependentes químicos femininos e mais seis leitos para crianças e adolescentes.

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