Vitória, 01 (AE) - O crime organizado no Espírito Santo é alvo de investigações da Procuradoria-Geral da República, da Polícia Federal e de um relatório preparado pelo delegado Francisco Vicente Badenes, chefe da Assessoria de Inteligência da Polícia Civil no governo de Vitor Buaiz. "O crime organizado se institucionalizou no Estado", diz o procurador Ronaldo Albo, um dos autores do relatório do Ministério Público Federal capixaba enviado ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, em 1998.
Segundo Albo, empresários, comerciantes, políticos, integrantes do Poder Judiciário e policiais militares e civis estão envolvidos com o grupos de extermínio, contravenção e narcotráfico. "Os grupos de extermínio agem para acobertar as máfias capixabas", diz. Em depoimento à CPI da Violência da Assembléia Legislativa, em setembro, o superintendente da PF capixaba, Armando Possa, reforçou a tese de Albo. "Os grupos de extermínio têm conexão com o crime organizado e com o narcotráfico", disse. Segundo o relatório de Badenes, que indiciou 14 pessoas pelo desaparecimento do advogado Carlos Batista de Freitas, dado como morto em 92, as máfias capixabas criaram uma espécie de fórmula jurídica para garantir a impunidade dos criminosos. Nos casos de assassinatos sob encomenda, a investigação é levada a uma conclusão: latrocínio.
Nas investigações, aparecem algumas pessoas conhecidas da sociedade capixaba, entre elas, o presidente da Assembléia Legislativa, deputados estaduais José Carlos Gratz (PFL) e Gilson Lopes (PFL), o prefeito de Cariacica (na Grande Vitória), Dejair Cabo Camata, e o desembargador do Tribunal de Justiça, Geraldo Corrêa Lima. Ex-banqueiro assumido do bicho, Gratz, que deve ser chamado pela CPI do Narcotráfico para depor, já respondeu a inquéritos por contravenção, contrabando, homicídio e formação de quadrilha. Em outubro de 1989, Gratz foi preso logo depois que policiais federais estouraram seis fortalezas do jogo do bicho na Grande Vitória que lhe pertenciam. Um ano depois, eleito deputado, Gratz ganhou imunidade.
Ele se defende dizendo que o deputado Max Mauro (PTB-ES), na época governador do Estado, teria armado a operação com a Polícia Federal. "Chamei a PF porque tinha informações de que havia envolvimento de policiais militares e civis com o crime organizado", diz Mauro. "A operação foi armada, nunca existiu", rebate Lopes. "Esse delegado é louco, foi reprovado em um exame psicotécnico para a Polícia Federal", diz Gratz. O relatório de Badenes cita ainda o ministro da Defesa, Élcio Alvares. Solange Antunes, assessora especial do ministério, disse que Badenes já está sendo processado por calúnia e difamação pelo senador. Cabo Camata contra-ataca acusando o delegado de ser homossexual. O desembargador não retornou as ligações da reportagem.

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