MP do Acre encaminha a Brindeiro denúncias contra Pascoal
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terça-feira, 12 de outubro de 1999
Por Edson Luiz e Gilse Guedes 
Brasília, 13 (AE) - O Ministério Público Federal no Acre encaminhou hoje ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, as denúncias feitas contra o ex-deputado Hildebrando Pascoal, relacionadas por três subprocuradores que estão em Rio Branco. Caso seja condenado, Pascoal pode cumprir pena de até 62 anos de prisão. Os procuradores também pedem o sequestro de bens do ex-deputado.
Hildebrando Pascoal é acusado de envolvimento com o narcotráfico, sequestro e cárcere privado, homicídio e tentativa de homicídio. "Para avançar ainda mais, é necessário que envie mais policiais federais para o Acre", afirma o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza, que assessora a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico.
Com base em depoimentos de testemunhas à CPI, a Polícia Federal está analisando a possibilidade de abrir vários inquéritos contra o ex-deputado. Pelos levantamentos feitos até agora, ele poderia responder a 70 processos, já que fora citado como envolvido em diversos tipos de crimes. Nos documentos entregues a Brindeiro, os subprocuradores também fazem denúncias contra outras pessoas ligadas a Pascoal, alguns deles presos temporariamente em Brasília.
A CPI vai ouvir amanhã (14) em Brasília o soldado da Polícia Militar do Acre, Marcos Figueiredo Gonçalves, preso por roubo de caminhões. Ele pode dar novas informações sobre o envolvimento do ex-deputado com roubo de cargas e tráfico de drogas. Integrantes da CPI viajaram hoje para o Acre - pela segunda vez em menos de um mês - para colher novos depoimentos.
Um grupo da PF também já está trabalhando no Acre investigando as ligações de Pascoal. Segundo delegados e procuradores envolvidos na apuração do caso, não está descartada a possibilidade de pedir a decretação de novas prisões temporárias nos próximos dias.
Além de Hidelbrando Pascoal, outras 27 pessoas estão presas em Brasília, todas acusadas de pertencer ao grupo que supostamente seria ligado ao ex-deputado. A maioria são ou foram policiais civis e militares. Entre os presos estão um tio, um primo e um irmão de Pascoal e um tio e um irmão do deputado José Aleksandro (PFL-AC), que assumiu a vaga do ex-deputado, cassado há quase um mês.


