Brasília, 21 (AE) - O Ministério Público (MP) do Acre está investigando um esquema de suborno montado por um grupo de pessoas para beneficiar o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC). O esquema garantiria às testemunhas de acusação o pagamento de uma quantia entre R$ 10 mil e R$ 200 mil em troca da mudança nos depoimentos para beneficiar o ex-deputado. Até mesmo as testemunhas presas teriam uma renda durante o período em que durar a pena.
A Procuradoria de Justiça do Estado vai requerer a quebra de sigilo bancário de algumas pessoas que pretendiam colaborar com a Justiça, mas recuaram, e de suspeitos pelo suborno. Segundo o promotor Sammy Lopes Barbosa, a mudança nos depoimentos de algumas testemunhas fizeram com que o MP desencadeasse uma investigação sobre a possibilidade de suborno.
"Temos dois casos em que as pessoas foram pressionadas, mas há casos que podem ser relacionados a suborno", disse. Como a maior parte das testemunhas contra o ex-deputado são presos condenados, o grupo, provavelmente ligado a Pascoal, estaria disposto a arcar com as despesas das famílias enquanto a pessoa permanecer na prisão. O esquema, que é semelhante ao Programa de Proteção à Testemunha do governo federal, teria sido descoberto a partir de denúncia de um informante.
Segundo Barbosa, o caso está sendo tratado em sigilo para evitar que haja intimidações, mas fontes do MP do Estado afirmaram que, entre os envolvidos, estariam familiares de Pascoal. "Tudo ainda está em fase de investigação", afirmou Barbosa.
Após a apuração do caso, o promotor poderá até requerer a prisão preventiva dos suspeitos. Além da possibilidade de existência de suborno, o MP do Acre está preocupado com as pressões que teriam sido feitas contra presos que iriam depor contra Pascoal. "Foi um erro da Polícia Federal (PF) ter trazido testemunhas de acusação algemadas ao lado do acusado", afirmou Barbosa. Segundo ele, ao chegar a Rio Branco, os depoimentos foram mudados, favorecendo Pascoal. "Em dois casos, já conseguimos com que essas pessoas refletissem e dessem novos depoimentos."

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