Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual deve protocolar, hoje, no Juízo da Central de Inquéritos, em Curitiba, denúncia contra o promotor de eventos Athayde de Oliveira Neto, 23 anos. Ele foi o organizador do show de rock ''Unidos pela Paz'', realizado no dia 30 de maio, que terminou com a morte de três adolescentes, pisoteados na entrada do evento, e dezenas de pessoas feridas. Caso a Justiça acate a denúncia, Athayde responderá a processo penal por homicídio.
Athayde é apontado na denúncia da PIC como único responsável pelas mortes, mas o promotor que esteve à frente das investigações na PIC, Paulo Lima, não descartou a possibilidade de outras pessoas serem denunciadas por outros delitos. Lima preferiu não entrar em detalhes sobre o teor das acusações e nem revelar nomes.
O promotor do show teve a prisão temporária decretada no dia seguinte à realização do evento, mas ficou foragido durante 10 dias. Athayde se apresentou na PIC depois que seus advogados conseguiram um habeas corpus, mas um outro pedido de prisão já havia sido concedido e ele foi preso logo depois de prestar depoimento. Ficou menos de 24 horas na Casa de Custódia de Curitiba, quando novo habeas corpus o liberou.
Uma das conclusões da PIC no decorrer das investigações foi que a quantidade de ingressos vendidos para o show (cerca de 25 mil) foi três vezes superior à capacidade do local.
O show trágico, que reuniu quatro bandas famosas (Charlie Brown Jr., Raimundos, Natiruts e Tihuana), em tese, não poderia ter sido realizado, uma vez que não tinha alvará da Prefeitura de Curitiba. O município não concedeu a licença porque a organização do evento não apresentou laudo do Corpo de Bombeiros.
Uma outra ação do Ministério Público, ajuizada em 2001, já questionava as condições de segurança do Jockey para shows de grande porte. Na época, houve tumulto durante a realização de um show de uma dupla sertaneja.

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