Campinas, SP, 19 (AE) - A Promotoria do Meio Ambiente de Paulínia denunciou, hoje, a Petrobrás e o ex-superintendente da Refinaria de Paulinia (Replan), Joaquim Pedro de Mello da Silva, por crime contra o meio ambiente. A unidade também é acusada pelo mesmo motivo em outros 14 inquéritos policiais que estão em andamento. A denúncia é do promotor de Justiça Luís Fernando Rossetto.
Segundo o promotor, no dia 04 de junho do ano passado, a refinaria contrariou uma determinação da Companhia Estadual de Tecnologia em Saneamento Ambiental (Cetesb) e colocou em operação uma unidade de craqueamento catalítico fora das especificações técnicas. O equipamento, de acordo com os técnicos, oferecia risco de lançar uma quantidade excessiva de gás carbônico na atmosfera.
O Sindicato dos Petroleiros de Campinas e Região (Sindipetro), informou que nos últimos meses aumentou o número de acidentes que oferecem risco ao meio ambiente e aos operários. Segundo o diretor da entidade, Antonio Carrara, na semana passada foi registrado uma pane em uma das unidades de transformação. "Os operários ficaram apavorados com a ameaça de explosão", disse.
Para Carrara, o número de acidentes aumentou devido as demissões realizados pela estatal nos últimos meses. "Não há pessoal suficiente para fazer a manutenção dos equipamentos", afirma. Segundo o sindicalista, a refinaria, considerada a maior da América Latina, é operada por apenas 60 trabalhadores em cada turno. Antes dos cortes, disse, seriam 120 pessoas por turno.
Para suprir a falta de mão-de-obra, o sindicato ingressou na Justiça do Trabalho com uma ação requerendo a contratação de pelo menos 250 novos operários. "Quem está lá dentro tem a impressão de estar pilotando um avião sem instrumentos", diz o sindicalista. A Justiça do Trabalho ainda não decidiu sobre o pedido do Sindpetro. Contesta - A superintendência da Replan contestou, hoje, por meio de sua assessoria de comunicação, as acusações do sindicato e da promotoria. De acordo com a estatal, uma liminar da Justiça
obtida dez dias após o embargo da Cetesb, autorizou a refinaria a continuar operando a unidade de craqueamento catalítico. Segundo a assessoria, se a unidade fosse paralisada,a haveria risco de desabastecimento de combustíveis em várias regiões.
Atualmente, a Replan produz 22% dos combustíveis consumidos no País, fornecendo para Estados do Sudeste e Centro-Oeste. De acordo com a assessoria, estão sendo investidos US$ 5 milhões na importação dos dispositivos de filtragem exigidos pela Cetesb. A direção da Replan também considera adequado o número de operários que trabalham na unidade. Segundo a estatal, o quadro de funcionários apresenta o mesmo padrões de outras refinarias em países do Primeiro Mundo. O ex-superintendente, Joaquim de Mello da Silva, deixou o cargo hoje para aposentar-se. Em seu lugar, assumiu José Carlos Cosenza.

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