MP denuncia monitor de parque por abuso sexual
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terça-feira, 17 de outubro de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A delegada Paula Brisola, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) da Polícia Civil acredita que mais crianças podem ter sido vítima de abuso sexual praticado por V.M.F., de 22 anos, que trabalha como monitor de um parque de diversões em um shopping no Centro de Curitiba. O rapaz está preso temporariamente desde 3 de outubro, acusado de abusar sexualmente de uma menina de cinco anos. Ele é acusado de atentado violento ao pudor, crime hediondo com pena de seis a dez anos de prisão. O Ministério Público ofereceu denúncia contra o monitor.
V.M.F., segundo a delegada, trabalhava há um ano e meio no estabelecimento. ''Os pais normalmente não gostam de falar sobre isso, porque sabem que a filha vai sofrer com a situação, mas é preciso denunciar', afirmou. Ela acredita que, caso tenha ocorrido outros casos de abuso nesse período, a partir da denúncia atual, outros pais procurem o Nucria para fazer denúncia. Ontem, a garota D.S., de 22 anos, que é irmã da vítima, esteve no Nucria, e fez questão de relatar à imprensa o que aconteceu. ''Eu estou me colocando à disposição para ajudar, para que isso não aconteça com outras pessoas'', disse.
O crime aconteceu no dia 3 de setembro. Enquanto a mãe das meninas comprava roupas infantis numa loja do shopping, T.S., de cinco anos, permaneceu por meia hora no parque que pertence à loja, para brincar sob a responsabilidade dos monitores do local.
Segundo D.S., a mãe começou a desconfiar logo depois de pegar a filha no parque. A garota saiu de cabeça baixa, pedindo para ir embora, e em seguida começou a reclamar de dor no ''bumbum''. Durante três dias a menina disse que teria caído na piscina de bolinhas, que escorregou em um brinquedo, que se bateu. Até que, questionada pela mãe, ela respondeu: ''Você não vai acreditar se eu contar''.
T.S. acabou contando que teria sido levada pelo monitor ao banheiro do parque. E que o rapaz teria usado sabonete para lubrificá-la, tapado sua boca para que não gritasse e ameaçado matá-la e à mãe, caso contasse para alguém o que ocorreu.
Laudo do Instituto Médico Legal, feito dez dias depois do crime, comprovou que houve coito anal. A criança reconheceu várias vezes o rapaz. A irmã da menina contou que foi ao parque fotografar o rapaz e mostrou, depois, a fotografia para a irmã. ''Tirei uma foto dele com a cabeça de lado. Ela reconheceu na hora'', disse. No Nurce, segundo a delegada, a menina também reconheceu o rapaz, em meio a cinco pessoas diferentes.
Segundo contou D.S., sua irmã apresentou mudança no comportamento depois do que aconteceu. ''Ela está chorona, irritada, sem paciência. Ela brinca um pouco e já pára. Não é mais a mesma menina'', contou. T.S., que está recebendo acompanhamento psicológico, também tem tido muitos pesadelos. ''Ela acorda gritando 'me solta, me solta'', contou.
A delegada baseou suas denúncias nos reconhecimentos feitos pela garotinha. O monitor, segundo a delegada, não recebeu treinamento específico para trabalhar no parque.


