Curitiba A médica Laila Margarete Martins de Moura foi denunciada pelo Ministério Público (MP) estadual por homicídio simples, por dolo eventual, e exercício ilegal da profissão. Ela trabalhava no Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná e teria sido responsável por um diagnóstico errado, em maio de 2005, que teria resultado na morte de uma paciente. Laila seria formada em uma universidade da Bolívia e não teria registro reconhecido no Brasil. A denúncia foi protocolada ontem.
O diretor-clínico do hospital à época, Antônio Levi Afonso Hirt, também, é denunciado como co-autor dos fatos, pois, segundo a denúncia do MP, teria contratado a médica, em janeiro de 2005, sabendo de sua situação irregular.
Na denúncia, o MP relata que a paciente Tatjana Bergman Saboya chegou ao hospital com quadro de diarréia aguda e desidratação e teria sido medicada com analgésicos e antiestamínicos. Duas horas depois, seu quadro clínico se agravou e ela teve parada cardiorespiratória. Laila teria precisado de ajuda de outro médico para reanimar a paciente, que foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu depois de outro parada cardíaca.
A denúncia inclui um laudo clínico, assinado por outra médica, apontando que houve falha na ''condução clínica e investigação do quadro'', fatores que teriam ligação direta com a morte da paciente.
O advogado dos médicos, Luciano Marchesini, rebateu as acusações, alegando que não houve omissão ou equívoco de diagnóstico. Segundo ele, a paciente já teria chegado bastante debilitada e a médica teria realizado todos os procedimentos que o caso exigia. ''A falta de CRM (registro no Conselho Regional de Medicina) não mata ninguém'', destacou. Marchesini disse, ainda, que a situação de Laila não era irregular. Ela fazia estágio probatório no hospital -exigência da legislação brasileira para validar diploma de instituições estrangeiras.
O fato de Laila usar carimbo e o número do CRM do médico Antônio Hirt -também apontado na denúncia do MP-, segundo o advogado, é um procedimento natural, já que ela não poderia assinar os procedimentos sem ter o registro.

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