MP denúncia má conservação dos profetas de Aleijadinho
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 21 (AE) - O Ministério Público está cobrando providências do governo federal para a conservação de um dos patrimônios artísticos mais importantes do País, a Igreja dos Profetas de Aleijadinho, em Congonhas, no interior de Minas Gerais. A notificação foi enviada hoje ao Institituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) pelo promotor de Justiça de Congonhas, Marco Antônio Borges.
Oficialmente denominada Basílica do Senhor Bom Jesus dos Matozinhos, a Igreja dos Profetas é reconhecida como Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Desde de 1939 é tombada pela União. Lá estão os 12 profetas de pedra-sabão considerados obras-primas de Aleijadinho. Cenas da paixão de Cristo esculpidas pelo artista e painéis de mestre Athayde fazem parte da ornamentação interna da igreja.
De acordo com o promotor de Congonhas, grande parte deste valioso acervo está comprometida pela ação de cupins e má-conservação. "A igreja corre grave risco de desabamento ou incêndio", afirmou. Borges visitou a basílica na sexta-feira depois de ter recebido denúncia de um engenheiro morador da cidade. "Me espantei com a situação de abandono que encontrei"
contou. "Há crosta de fungos nos profetas". Impressionado com o que viu, o promotor providenciou a realização de um laudo técnico. O documento aponta várias falhas de segurança, incluindo o mau posicionamento dos extintores de incêndio.
Segundo ele, constatou-se que a pouca manutenção feita nos últimos tempos ficou a cargo do pároco da igreja e da prefeitura. "Mas eles não tem como arcar com conservação que é obrigação do IPHAN", afirmou o promotor, que ameaça impetrar ação civil pública caso o instituto não apresente um plano de recuperação dentro de 30 dias. Equívoco - De acordo com os técnicos do instituto, a denúncia da Promotoria de Congonhas é um equívoco. "De modo algum há negligência", afirmou o conservador e restaurador do IPHAN, Antônio Fernando Batista Santos. Ele informou que a preservação das imagens em pedra-sabão de Aleijadinho são objeto de estudo de um convênio firmado entre Brasil e Alemanha em 1989. Segundo ele, o principal problema com os profestas não é a preservação da pedra exposta ao relento e sim o vandalismo.
O restaurador admitiu que há falhas na preservação do santuário em consequência da falta de recursos do Ministério da Cultura para a restauração do patrimônio. Mas informou que um projeto de restauração elaborado por diversas intituições - incluindo a IPHAN e a Universidade Federal de Minas Gerais - foi aprovado pela Unesco. A primeira parte dos recursos para o restauro deverá ser liberada em breve. "Não sei onde esse promotor quer chegar", reclamou Santos.


