São Paulo, 21 (AE) - O Ministério Público Estadual (MPE) ofereceu denúncia hoje à 4.ª Vara Criminal da capital contra o vereador José Izar (PST), seu irmão, Willians Izar, e outras 21 pessoas, entre servidores e ambulantes. Todos são suspeitos de participar de esquema de cobrança de propina na Administração Regional da Lapa.
José Izar é acusado seis vezes por corrupção passiva (pena de 1 a 8 anos de prisão) e cinco por concussão (2 a 8 anos), formação de quadrilha (1 a 3 anos) e usurpação de função pública (2 a 5 anos). Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o juiz tem um prazo de 15 dias para aceitar ou rejeitar a denúncia. Antes, cada denunciado terá o direito de apresentar a sua defesa preliminar à Justiça.
Izar é acusado de comandar um esquema de propinas na Regional da Lapa. Em 1998, segundo o Ministério Público Estadual
parte do dinheiro da propina arrecadada foi destinada para a campanha de Willians Izar, candidato derrotado na eleição para deputado estadual. Concussão - Nas cinco vezes em que é acusado de concussão (funcionário público que aceita vantagens para não cumprir suas funções), o vereador foi apontado pelo Ministério Público como o responsável pela cobrança de quantias em dinheiro de ambulantes e comerciantes da região da Lapa.
"Apesar de ele (Izar) ter 35 amigos na Câmara Municipal
ele ainda tinha mais 22 parceiros criminosos na Administração Regional da Lapa", disse o promotor José Carlos Guillen Blat, do Gaeco, um dos quatro autores da denúncia. Segundo Blat, uma das principais testemunhas do caso foi o empresário José Rafael Barcha, proprietário da serigrafia Brasilk Estamparia Têxtil Ltda., na Lapa.
De acordo com a denúncia, o empresário teve de contribuir com material para a campanha de Willians, para, em retribuição, ter seu estabelecimento regularizado na Regional da Lapa. Barcha afirma que seu prejuízo foi de cerca de R$ 15 mil. Nada a declarar - José Izar foi procurado hoje pela reportagem, mas não quis dar nenhuma declaração sobre o caso. Afirmou que vai falar apenas quando for intimado. "Não tenho nada a declarar; vou esperar ser intimado e falar apenas na Justiça", declarou o vereador. Pirâmide - Para os promotores, José Izar está no topo da pirâmide da corrupção na Lapa. Logo abaixo vem o seu irmão. Segundo a denúncia oferecida hoje, em alguns casos o próprio vereador exigia o dinheiro. "As ordens partiam dele; ele mandava nos (administradores) regionais que ele mesmo indicava"
disse Blat.
"Com isso, agia como se fosse o regional da região, ou seja, era o chefe da organização criminosa". Entre as outras pessoas denunciadas pelo Gaeco estão ex-administradores regionais, engenheiros, fiscais e ambulantes.

mockup