MP denuncia 62 na fronteira
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terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) federal denunciou ontem 62 pessoas supostamente envolvidas na facilitação da entrada de mercadoria contrabandeada do Paraguai no Brasil e recebimento de propina de contrabandistas em Foz do Iguaçu. Entre os denunciados, estão 38 policiais rodoviários federais, um policial civil, 16 batedores e olheiros da organização e sete guias de turismo.
Todos foram presos durante a Operação Trânsito Livre, liderada pela Polícia Federal (PF) e acompanhada pelo MP federal no dia 9 de dezembro. O procurador da República em Foz do Iguaçu, Vladimir Aras, enquadrou os denunciados nos crimes de corrupção ativa e passiva, concussão (recebimento de vantagem indevida em decorrência do cargo público), prevaricação, facilitação de contrabando, contrabando, descaminho, violação de sigilo funcional, concurso para o tráfico de drogas, falsidade ideológica, favorecimento real, formação de quadrilha e condescendência criminosa.
Dos policiais rodoviários investigados pela PF, o procurador excluiu da denúncia José Soares dos Santos, pedindo a revogação da prisão preventiva contra ele. Aras considerou que não haviam provas suficientes para denúncia contra o servidor, que foi autuado por usar uma pistola que não era da corporação, nem estava devidamente registrada. No entanto, nomes de outros patrulheiros rodoviários foram citados nas investigações e poderão ser denunciados nos próximos dias.
A denúncia formalizada pelo MP federal cita que um esquema criminoso estava funcionando há anos na fronteira do Brasil com o Paraguai com o intuito de livrar ônibus de sacoleiros da fiscalização da Polícia Rodoviária Federal nos postos de Santa Terezinha de Itaipu e Céu Azul, na BR-277. As investigações demonstraram que a passagem dos ônibus dos sacoleiros era previamente acertada por guias de turismo com os batedores, mediante pagamentos que variavam entre R$ 200 e R$ 500. Os policiais rodoviários federais recebiam o dinheiro e não fiscalizavam os ônibus. Os pagamentos eram feitos nos próprios postos da polícia rodoviária. O esquema criminoso aconteceria, de acordo com a denúncia, desde 1999.
O MP federal comprovou ainda nas investigações os indícios de que o esquema facilitava o tráfico de drogas. Em vários ônibus foram apreendidos haxixe, maconha e cocaína.


