Porto Alegre - O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou ontem à Justiça 37 pessoas ligadas à Via Campesina pela depredação de um laboratório e viveiro de mudas da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro, no dia 8 de março. Elas são acusadas de dano qualificado, furto qualificado, formação de quadrilha e bando armado, seqüestro e cárcere privado e lavagem de dinheiro.
  Responsável pela acusação, o promotor Daniel Indrusiak, disse que continuará investigando a origem, possivelmente internacional, dos recursos que financiam atividades de entidades que executam ações violentas, como a feita contra a empresa de celulose. Participaram da invasão e destruição quase duas mil pessoas.
  O promotor pediu à Justiça a quebra do sigilo bancário das associações de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Região Sul (AMTR/Sul), das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Rio Grande do Sul (MTR) e Nacional das Mulheres Camponesas (ANMC). Quando buscava pistas dos invasores da Aracruz, a polícia encontrou na sede das três entidades, em Passo Fundo, no norte do Estado, 17,1 mil reais, 5,9 mil dólares americanos, 7 mil pesos chilenos e 9 quetzeles guatemaltecos, além de grande quantidade de cheques de valores diversos, de vários emitentes, muitos dos quais sem valores preenchidos.
  Indrusiak acusou os líderes da ação na Aracruz de ocultar e dissimular a origem dos recursos, que, segundo o texto da denúncia, captavam em nome de quadrilha ou bando, sob a forma de entidade regularmente constituídas a pretexto de realizarem manifestações de cunho ideológico e reivindicatório. ‘‘É clara a percepção que são grupos extremamente organizados, com complexidade de ramificações’’, avaliou o promotor, em entrevista.
  Entre os acusados está o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, enquadrado nos cinco crimes descritos.

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