Curitiba-O Ministério Público em Cascavel ofereceu denúncia contra 19 pessoas acusadas de ter algum tipo de envolvimento no confronto que resultou na morte de um sem-terra e um vigilante, no dia 21 de outubro, na fazenda experimental da multinacional Syngenta, em Santa Tereza do Oeste. Além disso, foram decretadas as prisões preventivas de seis dos acusados, sendo que três foram detidos ontem.
A denúncia do MP se baseou no inquérito policial conduzido pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil. Os promotores consideraram que 19 pessoas, direta ou indiretamente, teriam algum tipo de responsabilidade pelo confronto, que terminou com a morte do segurança Fábio Ferreira e do militante da Via Campesina, Valmir Mota de Oliveira.
Seis dos acusados tiveram prisão preventiva decretada. Três foram detidos ontem: Nerci de Freitas, proprietário da NF Segurança, que havia sido contratada pela Syngenta para fazer a vigilância da unidade experimental e sobre quem recaem as acusações mais pesadas; e dois dos vigilantes da empresa, Alexandre Magno Winche Almeida e Alexandre de Jesus. Um terceiro funcionário da NF, Rodrigo de Oliveira Ambrósio, e dois líderes da Via Campesina na região, Celso Ribeiro Barbosa e Célia Aparecida Lourenço, permaneciam foragidos até a noite de ontem.
O MP também ofereceu denúncia contra outras 13 pessoas, incluindo mais seis seguranças ligados à NF e o presidente da Sociedade Rural do Oeste do Paraná (SRO), Alessandro Meneguel. Ele é acusado de formar milícias armadas para evitar ocupações de terras na região. Outros seis sem-terra também foram denunciados. A reportagem da FOLHA tentou entrar em contato com o advogado que representa a NF Segurança, mas não obteve resposta. Já Meneguel, por meio da assessoria de imprensa da SRO, afirmou estar com sua consciência tranquila e que acredita na Justiça.
Também pela assessoria, a Via Campesina divulgou nota em que criticou o MP por ter denunciado oito de seus integrantes. Segundo o movimento, os trabalhadores rurais ''estão sendo responsabilizados pelo ataque do qual foram vítimas''.
A nota classifica como ''absurdo'' o fato de uma das denunciadas, acusada de tentativa de homicídio, ser Isabel Nascimento de Souza, que ficou gravemente ferida durante o confronto. A Via Campesina critica também o fato de a Syngenta não ter sido responsabilizada pelo conflito. Apesar de relembrar a morte de um de seus militantes, a nota não cita, em momento algum, que um segurança também foi morto no conflito.

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