São Paulo - O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra 11 pessoas supostamente envolvidas no escândalo do tratamento simulado de radioterapia no Hospital Beneficência Portuguesa de Santos. Entre os acusados estão cinco médicos da Unirad, que operava a máquina, o presidente e o diretor-técnico do hospital e o secretário de Saúde de Santos, além do chefe e dois médicos da Vigilância Sanitária. As suspeitas de que pacientes estariam sendo submetidos a tratamentos em uma máquina quebrada surgiram no final de 2009. Depoimentos colhidos pelo promotor Cássio Conserino, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), evidenciaram que, no segundo semestre de 2007, o acelerador linear (dispositivo que emite feixes de radiação) começou a apresentar defeitos por causa do desgaste da bomba de cobalto.
Mesmo assim, segundo testemunhas, o médico Hilário Romanezi Cagnacci, sócio da Unirad, continuou prescrevendo o tratamento. Indagado à época sobre a eficácia das aplicações, ele teria respondido que elas ''melhorariam a parte psicológica dos pacientes''.
O Gaeco sustenta que o presidente do hospital, Ademir Pestana, e o diretor-técnico, Mário da Costa Cardoso Filho, se omitiram. Em depoimento, Pestana disse que soube dos problemas com a bomba de cobalto em 2007. ''Contudo, não tomou qualquer providência que lhe era juridicamente exigível'', diz o promotor.
A mesma lógica usada pelo promotor para enquadrar os dirigentes do hospital foi aplicada ao secretário de Saúde de Santos, Odílio Rodrigues Filho, ao chefe da Vigilância Sanitária, Moisés Mendes, e a três médicos do órgão. De diferentes formas, afirma o MPE, todos foram alertados sobre o defeito, mas nada fizeram para interditá-lo.

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