Curitiba - O Ministério Público (MP) de Guarapuava tem prazo até sexta-feira para entregar à Justiça a denúncia contra os envolvidos no conflito entre seguranças da Fazenda Coqueiro, pertencente à Trombini Florestal S.A., e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocorrido no início do mês, em Foz do Jordão (115 quilômetros ao sul de Guarapuava). No confronto, dois sem-terra morreram e um ficou ferido.
A promotora de Justiça do MP de Guarapuava, Lucimara Erlund, uma das responsáveis pelas investigações, adiantou que dez pessoas serão denunciadas por envolvimento direto ou indireto na morte dos sem-terra Paulo Brasil, 36 anos, e Anaro Lino Vial, 52 anos, e pela tentativa de homicídio do sem-terra, Pedro Brasil, 52 anos, baleado no pescoço e na perna. ''A denúncia está praticamente pronta. Devemos entregá-la até amanhã (hoje)'', informou.
O MP, segundo Lucimara, manteve a suspeita inicial de que os integrantes do MST foram vítimas de uma emboscada armada pelos seguranças da fazenda. A denúncia se baseia no inquérito policial conduzido pelo delegado de Guarapuava, Juraci Lopes de Souza, que já está nas mãos da promotoria.
Entre os denunciados, estão um dos donos da Trombini, um gerente e dois funcionários da empresa, além de seis seguranças da empresa GWS Segurança e Vigilância Ltda., que presta serviços à fazenda. Com exceção do proprietário e do gerente da Trombini, os demais foram presos em flagrante no dia do conflito.
O confronto na Fazenda Coqueiro aconteceu na madrugada do dia 2 deste mês. Cerca de 100 integrantes do MST, que estão acampados próximos à propriedade, tentaram entrar na área para terminar um roçado que haviam iniciado dois dias antes, quando teriam sido barrados pelos seguranças armados. Um lado acusa o outro de ter começado o tiroteio.
A Folha não conseguiu localizar diretores da Trombini ontem. Em nota oficial encaminhada no dia do conflito, a empresa alegou que os seguranças agiram em legítima defesa, pois os sem-terra é que teriam chegado armados e atirando contra os funcionários. Na GWS, nenhum diretor foi encontrado. Uma funcionária informou que os responsáveis pela empresa estariam viajando.
A denúncia de extorsão envolvendo supostos integrantes do MST, em Imbituva, ainda está sem solução. O delegado de Irati, que investiga o caso, Robson Cézar da Silva Barreto, disse ontem que aguarda a elaboração dos retratos-falados dos dois estelionatários pelo Instituto de Criminalística e as informações da quebra do sigilo telefônico de um dos acusados para iniciar novas diligências. As ligações foram feitas de um celular para o dono de uma fazenda no município.
O advogado do fazendeiro que intermediou as negociações informou à polícia que os dois homens que se apresentaram como João Carlos e Lima teriam pedido dinheiro para evitar a invasão da propriedade por sem-terra. As conversas com o advogado foram gravadas. A perícia também está analisando as fitas.
A polícia trabalha com a hipótese de que os dois estelionatários não são ligados ao MST e usam o nome do movimento para praticar extorsão.

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