MP decide investigar contrato emergencial de empresas de ônibus
Licitação do transporte urbano está indefinida desde dezembro quando TCGL questionou na Justiça a concorrência proposta pela CMTU
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de maio de 2019
Licitação do transporte urbano está indefinida desde dezembro quando TCGL questionou na Justiça a concorrência proposta pela CMTU
Pedro Moraes e Rafael Machado 

As empresas responsáveis pelo transporte coletivo urbano de Londrina pelos próximos 15 anos deveriam ter sido conhecidas em dezembro, data em que o processo de licitação teria sido encerrado. Mas uma série de questionamentos legais mantém o processo indefinido. Dois fatos são novos, mas não alteram a situação. O primeiro é que a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) revogou no dia 30 de abril o edital que já havia sido impugnado pelo TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná). O outro é que o Ministério Público, por meio da promotora Sandra Koch, instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no contrato emergencial firmado no fim de janeiro entre o município e as duas empresas que atuam na cidade – a TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) e a Londrisul. O acordo foi necessário já que a licitação do serviço venceu e as companhias foram mantidas por mais seis meses, período que se encerra em julho. O procedimento investigatório é válido por um ano e pode ser prorrogado pela mesma data. Caso alguma irregularidade for encontrada, a investigação pode se transformar em uma ação judicial. Tanto o Ministério Público, como a CMTU foram procurados pela FOLHA para comentar o caso, mas não se pronunciaram até o fechamento desta edição.
A suspensão no Tribunal de Contas do Estado foi provocada a partir de um pedido da TCGL, atualmente responsável por 85% das linhas de ônibus da cidade. Ao fim da análise, o órgão apontou que havia 23 inconsistências no processo administrativo e sugeriu mudanças. A empresa municipal tentou recorrer da decisão na Justiça diversas vezes sem sucesso. Somente no fim do mês passado, o Diário Oficial do Município trouxe a informação de que o presidente da CMTU, Marcelo Cortez, ordenou a elaboração de um novo processo que atenda às exigências do TCE. Esses questionamentos basicamente se resumem a uma diferença no cálculo de passageiros transportados na cidade e a pontos referentes à questão econômica que definem o valor final da passagem, que hoje está em R$ 4,25. A companhia afirma que os levantamentos foram elaborados com base em inspeções coletadas entre outubro de 2017 e setembro de 2018. Vale lembrar que no ano passado o prefeito Marcelo Belinati decretou o valor da passagem inferior ao que havia sido calculado pelos técnicos da prefeitura, o que segundo a TCGL inviabiliza o serviço.
Parte do cenário de indefinição, a Transportes Coletivos Grande Londrina afirmou por meio de que “tomou conhecimento do inquérito do Ministério Público através da imprensa". "A empresa não tem como se manifestar sobre o assunto porque tanto a elaboração do edital e do contrato emergencial são de inteira responsabilidade do Município”. Em novembro, a TCGL anunciou publicamente que não participaria da licitação e que encerraria suas atividades, desta foram demitindo mais de 1.660 funcionários. No meio de toda a briga judicial, os trabalhadores do setor ainda não fecharam o acordo coletivo e uma série de questões permanecem em aberto, razão pela qual motoristas e cobradores chegaram a fazer greve no mês passado.


