MP decide amanhã se retoma julgamento
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 23 (AE) - O procurador-geral de Justiça do Pará, Geraldo Rocha, afirmou hoje que, pessoalmente, não concorda com a continuidade do julgamento dos policiais militares acusados da morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, mas acrescentou que a decisão está nas mãos do colegiado de procuradores, que deve decidir a questão amanhã (24) à tarde, durante reunião. Rocha disse que não irá indicar outro promotor para o julgamento
mantendo Marco Aurélio Nascimento no comando da acusação aos militares. "O julgamento é um só e deve contar com o mesmo promotor", resumiu.
O procurador-geral explicou que o Ministério Público não pode aceitar que persistam nas próximas sessões as mesmas nulidades que deram origem ao pedido de anulação do primeiro julgamento. Concordar com isso, segundo disse, seria legitimar tudo o que a Promotoria viu de irregular. Ofensa - Os 26 desembargadores do Tribunal de Justiça (TJ) do Pará e o juiz Ronaldo Valle, presentes hoje pela manhã na reunião extraordinária do Tribunal Pleno, que apreciava relatório do juiz sobre a sessão do Tribunal do Júri que absolveu os três oficiais da PM, foram ofendidos aos gritos de "safados" e "vendidos" pelos deputados federais Pedro Celso (PT-DF) e João Batista Araújo (PT-PA). "Eu sou deputado e assumo o que disse", atacou Celso quando o juiz perguntou se ele repetia o que estava dizendo. O juiz disse que vai pedir à Câmara dos Deputados para que esta dê licença para os dois deputados serem processados. "Sou um homem honesto e não admito isso", reagiu Valle. Araújo, que chamou os desembargadores de "vendidos, vocês são os verdadeiros assassinos de Eldorado dos Carajás", foi retirado da sala de julgamento por determinação do presidente do TJ, José Alberto Soares Maia.
Os ânimos acalmaram-se quando Maia resolveu receber em audiência o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que estava acompanhado de representantes da Anistia Internacional. "Esse julgamento deve ser anulado para que se restabeleça a credibilidade da Justiça", disse Suplicy. Durante a conversa com Maia, o senador pediu que seja agilizado o julgamento do recurso que pede a anulação da sessão que absolveu os comandantes do massacre.
Os desembargadores do TJ decidiram, por unanimidade, enviar ofício ao procurador-geral de Justiça, Geraldo Rocha, solicitando que o Ministério Público reconsidere sua decisão de não mais participar das 26 sessões de julgamento dos outros 147 militares. O Tribunal deu prazo até quarta-feira, para a resposta do procurador, pois está pretendendo retomar os julgamentos a partir da próxima sexta-feira.


