São Paulo, 22 (AE) - O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil hoje para apurar o alcance dos danos provocados pelo corte de 20% sobre o repasse destinado ao atendimento ambulatorial efetuado pela Secretaria de Estado da Saúde. Segundo o promotor Vidal Serrano Nunes Júnior, o inquérito é uma extensão de um outro, aberto na sexta-feira. "O primeiro inquérito avalia apenas os danos aos pacientes de diálise", explicou Nunes. "Agora, vou apurar todos os demais atendimentos ambulatoriais". Ele informou que, caso conclua, durante as investigações, que a responsabilidade dos cortes é do Ministério da Saúde, o ofício será encaminhado para um órgão de âmbito federal.
O segundo inquérito foi aberto a partir de uma representação encaminhada pelo superintendente do Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo (USP), Erasmo Magalhães Castro de Tolosa. Segundo ele, o corte de 20% provocou redução de R$ 90 mil no faturamento do hospital. Por ser um hospital universitário, o HU não recebe verba governamental. "Recebemos apenas pelos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS)", explicou Tolosa.
De acordo com o superintendente do HU, o atendimento ao SUS provoca um prejuízo de R$ 2,7 milhões por mês. "Por sorte, a USP banca o nosso déficit para não deixar a qualidade do atendimento cair", disse. A secretaria informou que o aumento da demanda do SUS não foi coberto pelo Ministério da Saúde, o que provocou a necessidade de cortar os repasses.
Nunes abriu hoje também um inquérito para apurar as irregularidades constatadas pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo no Hospital de Guaianases.

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