São Paulo, 10 (AE) - Os promotores e procuradores de Justiça de São Paulo começaram a eleger hoje o novo Conselho Superior do Ministério Público do Estado com a escolha de seis integrantes. A apuração de quase 70% dos votos, até as 19h40, indicava uma vitória folgada da oposição ao procurador-geral de Justiça, Luiz Antonio Marrey, com a eleição de cinco candidados da chapa Visão 2000. Apenas um nome da chapa Ética e Compromisso, apoiada por Marrey, surgia com número suficiente de votos para ocupar uma vaga no colegiado.
O Conselho Superior é órgão de vital importância para essa instituição que tem atribuição constitucional de investigar denúncias de atos de improbidade envolvendo administradores públicos. Seus integrantes, com mandato de dois anos, têm poderes para revogar arquivamentos de inquéritos civis sobre corrupção e examinar medidas adotadas pelo chefe do Ministério Público. Cabe também ao conselho preparar as listas de promoção e remover promotores.
Com o Conselho Superior ao seu lado, o procurador-geral pode dirigir o Ministério Público com tranquilidade. Quando a oposição domina esse setor, o procurador-geral precisa agir com muita habilidade para evitar sérias dificuldades.
O conselho tem 11 integrantes. Todos são procuradores. O presidente é o próprio procurador-geral. O corregedor do Ministério Público faz parte da equipe. Os outros 9 conselheiros são eleitos - 6 deles pelos 1,5 mil promotores e procuradores do Estado; 3 são escolhidos pela cúpula da instituição - votam apenas os 42 procuradores do àrgão Especial, entre eles os 20 mais antigos da classe. Hoje, foram escolhidos os primeiros 6 conselheiros. Segunda-feira, serão eleitos os outros 3.
Marrey deixará o cargo na primeira quinzena de março, quando será eleito o novo procurador-geral de Justiça. O nome mais cotado para suceder Marrey é o do procurador José Geraldo Brito Filomeno, que vinha ocupando o posto de chefe-de-gabinete da Procuradoria-Geral. Filomeno tem apoio de Marrey.
O procurador-geral é escolhido pelo chefe do Poder Executivo em uma lista tríplice. Marrey foi nomeado duas vezes pelo governador Mário Covas - em 1996 e em 1998. Protagonista de célebres disputas internas do Ministério Público no início da década, Marrey sofreu forte oposição de procuradores em seu primeiro mandato.
Mandato - Quando assumiu pela primeira vez o comando da instituição, Marrey foi criticado pelo fato de não ter sido o mais votado da lista. Mesmo assim, Covas o escolheu atendendo pedidos do procurador Marco Vinício Petrelluzzi, na época assessor especial do governador. Também pesaram na escolha de Covas o secretário da Justiça e Cidadania, Belisário dos Santos, e a suspeita de que o grupo rival de Marrey teria ligações com os ex-governadores Orestes Quércia e Luiz Antonio Fleury Filho.
A oposição a Marrey o acusa de fechar os olhos para investigações sobre o governo tucano, principalmente com relação a denúncias de supostas irregularidades na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), principal projeto social do Palácio dos Bandeirantes. Marrey rechaça as acusações e lembra que abriu processo criminal contra Marta Godinho, então secretária da Assistência Social do governo. Amiga de Covas, Marta foi denunciada por peculato e desvio de recursos públicos.
Em 1998, Marrey concorreu novamente ao cargo e surpreendeu a oposição, ganhando por uma diferença de mais de 200 votos do segundo colocado.

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