O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente, Saint-Clair Honorato Santos, fez ontem duras críticas à gestão ambiental do lixo pela Prefeitura de Londrina. Durante audiência pública que discutiu o Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em 26 municípios da região, o procurador afirmou: ''Parece que não temos uma administração responsável e preocupada com o meio ambiente.''
Foi uma resposta à posição declarada pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Gerson da Silva, de que o Município não pretende adotar a compostagem (reciclagem de matéria orgânica para uso como adubo) do lixo até 23 de fevereiro de 2008 - como determinou o MP com base na lei federal 11.445/2007, que estabelece diretrizes para o saneamento básico. Segundo o secretário, isso seria uma ''utopia''.
''Não vejo problema em se fazer isso. Se a prefeitura abrir um edital de licitação amanhã dizendo que vai fazer a compostagem, vai ter dificuldade em julgar o edital, de tanta gente que vai aparecer'', disse o procurador, exemplificando que o custo de implantação do processo não ultrapassa R$ 60 mil num município de até 100 mil habitantes. Ele defende que o Município oriente os próprios cidadãos a separar o lixo orgânico em casa, facilitando a destinação final.
O secretário Gerson da Silva considera o modelo de compostagem ''simplista''. ''Não é a melhor alternativa para Londrina. Primeiro vamos trabalhar na educação ambiental para incentivar a redução do consumo e o reaproveitamento de restos de alimentos, como cascas de fruta. Também podemos reutilizar as sobras para alimentar porcos, usar o processo de aceleração de decomposição e reciclar para gerar energia'', elencou.
Segundo Silva, ''a terra roxa e fértil de Londrina não precisa do húmus gerado pelo lixo compostado''. Ele disse ainda que irá cobrar dos grandes geradores - aqueles que produzem mais de 600 litros de lixo por semana, como restaurantes e supermercados - que façam seu próprio tratamento de resíduos orgânicos. A Sema já elaborou a minuta de uma lei que irá definir as diretrizes da fiscalização e as penalidades para quem descumpri-la.
Já o procurador reforçou que irá denunciar por improbidade administrativa todas os administradores públicos que não cumprirem a lei federal até o prazo estipulado. ''Espero estar vivo para fazer (as denúncias) de um por um'', desafiou.

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