MP cria grupo nacional de combate ao crime organizado
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) do Paraná resolveu ontem regulamentar e regionalizar a atuação de procuradores e promotores no combate ao crime organizado. As antigas promotorias de investigação criminal, criadas há mais de dez anos, estão sendo modificadas. A partir de agora, elas ganham caráter abrangente e serão nominadas de Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECOs). Elas atuarão de forma descentralizada em Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava e Maringá e serão coordenadas pelo procurador Luiz Roncáglio.
''Não apenas uma mudança de nome. É uma mudança de trabalho. Antes fazíamos investigações no varejo, de pequenos grupos criminosos. Agora, estaremos mais preocupados com as grandes organizações criminais e com o envolvimento de agentes públicos. Estamos elegendo melhor nossas prioridades'', informou Roncáglio. Os grupos não trabalharão diretamente com as polícias civil e militar, a não ser em operações de prisão, busca e apreensão. Anteriormente, as promotorias trabalhavam com policiais fixos responsáveis pelas investigações (eram os chamados Gercos -Grupos Especiais de Repressão ao Crime Organizado).
''É melhor não termos que trabalhar ininterruptamente com um grupo fixo. Vamos trabalhar numa força-tarefa com espaços diferenciados. A parte burocrática ficará por conta de funcionários do próprio Ministério Público. Não podemos ficar à mercê das mundanças de governo e das interpéries políticas'', ponderou. No ano passado, o governador Roberto Requião (PMDB) abriu fogo contra o Ministério Público por conta da prisão na véspera eleitoral do policial civil Délcio Rasera, que foi denunciado por supostamente comandar um esquema de grampos ilegais e espionagem no Paraná. Na época, Rasera dava expediente interno no Palácio Iguaçu por pedido da Assessoria Governamental.
Como retaliação, Requião pediu o prédio onde funcionava a PIC (responsável pela investigação, prisão e denúncia de Rasera) -e que pertencia ao governo do Estado e mandou que os policiais militares que prestavam serviço no Gerco fossem removidos para outras unidades. ''Queremos pulverizar nossa atuação e não permitir que eventual questão política venha interferir no andamento do trabalho'', disse Roncáglio.
Para o procurador Geral de Justiça, Milton Riquelme de Macedo, a criação dos grupos é uma resposta social à tentativa de desmoralização do MP do Paraná. O presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, Roberto Bandeira, disse que o crime empresarial (orgânico) produz danos à honra da sociedade. Por conta disto, é necessária uma mudança de postura. ''O momento no Paraná é de dificuldade por conta de críticas. Mas a crítica faz parte do processo democrático. É uma injustiça que se faz como reação ao trabalho do Ministério Público. É uma demonstração que a instituição está fazendo seu papel no Paraná'', apontou Bandeira.


