MP começa a ouvir mulheres grávidas
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sábado, 27 de junho de 1998
Agência Folha 
O Ministério Público Federal deve ouvir amanhã em São Paulo depoimento de uma das mulheres que afirmaram ter engravidado enquanto tomavam o anticoncepcional Microvlar. O ministério abriu representação para apurar o caso das pílulas de farinha que chegaram ao mercado após um suposto roubo.
A polícia também está no caso. O laboratório Schering do Brasil, que fabrica a Microvlar, afirma que essas pílulas foram produzidas para serem usadas em teste de nova máquina de embalagem e seriam incineradas.
O Ministério da Saúde determinou a interdição total da empresa por cinco dias. Anteontem, técnicos da Vigilância Sanitária começaram a vistoria e tentam descobrir se há irregularidades.
A descoberta de que havia pílulas de farinha no mercado ocorreu após uma carta anônima denunciar o problema no dia 20 de maio e uma consumidora reclamar que estava grávida, no dia 1º de junho.
A Vigilância de São Paulo só foi informada sobre o caso no último dia 19. A empresa alega que a demora foi causada por testes que a Schering realizou para verificar se as cartelas - entregues pela consumidora e na carta anônima - eram do lote das pílulas falsas.
A Vigilância proibiu a venda e produção das pílulas Microvlar. Todas as cartelas estão sendo recolhidas do mercado. A empresa afirma que só vai se manifestar sobre indenizações após conclusão de inquérito policial.
A secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde publicou na sexta-feira no Diário Oficial da União a portaria que interdita por cinco dias o Laboratório Schering do Brasil para inspeção em toda a sua linha de produção.


