Londrina – O promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares, afirmou ontem que vai enviar nos próximos dias um requerimento às secretarias estaduais de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e de Saúde e ao governador Beto Richa, solicitando um volume maior de recursos para gastos de custeio e a ampliação do quadro funcional do Hospital Universitário de Londrina.
Tema de um encontro convocado pelo Ministério Público e realizado na tarde de ontem, a situação da maior unidade hospitar do interior do Estado é considerada "muito grave" pela vice-reitora Berenice Jordão e pela superintendente do hospital, Margarida Carvalho. Os dois problemas ameaçam o funcionamento integral do hospital, que até o final do ano poderá ter um deficit de pessoal de cerca de 400 servidores.
O grupo – composto de autoridades municipais, líderes de entidades do setor médico, membros dos conselhos municipal e estadual de Saúde e presidentes de associações de bairro - saiu da reunião convicto da necessidade de pressionar o governo do Estado por uma suplementação orçamentária em 2013 que permita a manutenção dos serviços básicos no atual nível.
"Há um subfinanciamento no custeio do HU e a sociedade tem que tomar conhecimento disso para lutar por uma mudança neste quadro", afirmou o promotor Paulo Tavares. "As forças políticas da cidade e da região devem se unir e se organizar para acabar com o deficit de funcionários e ampliar os tetos de repasse dos governos estadual e federal", completou.
A vereadora Lenir de Assis (PT), presidente da Comissão de Seguridade Social da Câmara, disse que pretende liderar um movimento político para sensibilizar o governo do Estado a fazer um novo concurso e reduzir drasticamente o tempo de reposição das vagas abertas com as aposentadorias, mortes e exonerações. "Temos que lembrar que 2014 é um ano eleitoral e por imposição legal teremos apenas os primeiros meses do ano para realizar o concurso", afirmou.
Lenir também disse que a mobilização política vai ter como causa um repasse emergencial de cerca de R$ 6 milhões, que seriam usados nos gastos com custeio até o final do ano.

Reposição
Conforme explanação da superintendente da unidade, o ciclo de reposição das vagas chega a cerca de um ano e meio. Atualmente, estas vagas são preenchidas com os aprovados em testes seletivos para contratações temporárias. Margarida afirmou que são 236 vagas abertas e, em média, dois servidores pedem aposentadoria por dia na unidade. "Se o quadro não mudar, poderemos sim suspender alguns serviços ainda este ano", afirmou a vice-reitora, que não descarta a diminuição dos leitos e o descredenciamento de alguns serviços do SUS nos próximos meses.
Ainda em relação ao custeio, a Universidade Estadual de Londrina luta por uma expansão significativa das verbas estaduais, que este ano deve fechar em R$ 3,8 milhões. Pelas contas da direção do HU, a verba este ano teria que ser suplementada, além de passar para a casa dos R$ 10 milhões em 2014. A previsão orçamentária reserva um valor bem menor para o custeio, cerca de R$ 4 milhões.
A dívida entre o Município e o HU também foi discutida. Enquanto o lado credor calcula a dívida em R$ 4,6 milhões, o lado devedor estima que o valor não ultrapasse os R$ 3 milhões. As duas partes vão discutir como e quando será feito o pagamento e o redimensionamento do Plano Operacional de Atendimento (POA), base do cálculo para o repasse dos recursos do SUS, que antes de chegarem ao hospital passa pela administração municipal. "Nos comprometemos a pagar a pagar a dívida mas vamos analisar qual é a melhor forma de fazer isso", disse o secretário Francisco Eugênio de Souza.
A maior esperança de que a situação financeira do HU seja suavizada nas próximas semanas é o repasse dos R$ 300 mil mensais do programa federal Rede de Urgência e Emergência, que bancaria o custeio do pronto socorro. "Praticamente zeraríamos nosso deficit. Mas ainda, infelizmente, não sabemos quando estes recursos efetivamente irão chegar", afirmou Margarida Carvalho.
O HU tem 316 leitos. De janeiro a agosto deste ano foram realizadas 91 mil atendimentos. Somente no Pronto-Socorro foram quase 23 mil atendimentos. O quadro de servidores é composto por 2,4 mil pessoas.

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