MP cobra posição sobre sigilo no caso Virgínia
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sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - O Ministério Público do Paraná (MPPR) deve encaminhar na próxima segunda-feira uma representação ao juiz Daniel Surdi Avelar, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, para que ele analise uma possível quebra de sigilo no caso sobre as supostas antecipações de mortes na UTI Geral do Hospital Evangélico em Curitiba. A quebra de sigilo teria sido cometida pelo advogado da médica Virgínia Helena Soares, Elias Mattar Assad.
Ao final da audiência de instrução das testemunhas de acusação, na noite de quinta-feira, o advogado declarou que o médico Mário Lobato da Costa, representante do Ministério da Saúde na sindicância que apura eventuais irregularidades na unidade, e uma das principais testemunhas de acusação, teria dito, em seu depoimento, que a leitura dos prontuários não permite concluir se houve antecipação nas mortes investigadas no hospital. "O caso pede sigilo em relação às declarações das testemunhas particularmente, e mesmo sobre os resultados da perícia. Foram dadas definições a respeito da audiência, e o advogado é que tem que responder a esta situação", explicou o promotor Paulo Markowicz de Lima.
A reportagem entrou em contato com Assad, mas conforme a assessoria do advogado, ele estava participando de um evento e estaria incomunicável durante todo o dia.
Audiências
Durante as audiências de instrução realizadas na quarta e quinta-feira foram ouvidas 14 testemunhas (cinco técnicos de enfermagem, três enfermeiros, três familiares de pacientes, um médico e dois legistas). Conforme o MPPR, duas testemunhas selecionadas pelo órgão serão ouvidas por meio de carta precatória, já que não moram em Curitiba. Uma terceira testemunha desistiu de colaborar com os trabalhos e outra, moradora da capital, não compareceu e deve ser ouvida em outubro, quando se iniciam as audiências de instrução das testemunhas da defesa.
A expectativa é de que a defesa convoque mais de 60 testemunhas, que começarão a ser ouvidas no dia 7 de outubro.
"As audiências foram bastante cansativas mas ficamos bastante satisfeitos. Os elementos trazidos pelas testemunhas foram importantes e só reafirmaram a conclusão de que este caso é para ser julgado pelo Tribunal do Júri. Se a perícia dos prontuários estiver pronta a perspectiva é de que até o final do ano tenhamos um encaminhamento sobre o caso", completou o promotor.
A médica Virgínia Helena Soares de Souza foi denunciada com outras cinco pessoas por sete homicídios qualificados e formação de quadrilha.


