Londrina – A Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público ajuizou ação de improbidade administrativa contra um servidor público da Emater, um agricultor e um empresário e cobra a devolução de R$ 289.666,61 pagos a uma empresa que não concluiu a obra de um barracão no Distrito de Lerroville, na zona sul de Londrina.
De acordo com o MP, Ildefonso José Haas, engenheiro agrônomo da Emater e o agricultor Matias Tadachi Takachi, representante da Cooperativa Agroindustrial Solidária de Lerroville (Coasol), autorizaram, sem licitação, a contratação da empresa Prenorte, de Cambé, de propriedade de Paulo Wagner Munhoz Paranzini, para construir um barracão de 600 metros quadrados, para alojar máquinas de processamento e torrefação de cafés orgânicos. "Eles escolheram arbitrariamente a empresa", frisou o promotor Renato de Lima Castro, que assina a ação junto com a promotora Leila Schimiti.
A construção foi autorizada em 2004 e os pagamentos foram realizados em dezembro daquele ano. A denúncia ainda aponta que Haas e Takachi forjaram documentos para comprovar a conclusão da obra e com isso exigir que o pagamento fosse efetuado. "Eles causaram lesão ao erário quando certificaram o recebimento da obra antes da conclusão do barracão e aprovaram o pagamento antecipado. Eles cometeram ainda falsidade ideológica ao assinarem os documentos comprovando o término de uma obra inexistente", afirmou Castro.
Após o recebimento dos valores, a obra nunca foi concluída. Segundo o MP, também não foi firmado contrato de serviço entre a Emater e a Prenorte e, por isso, a indústria e seu proprietário também são réus na ação. A denúncia foi protocolada na 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina.
Ildefonso Haas reconheceu que houve um "ato administrativo falho", mas negou que tenha acontecido "dolo ou má-fé". "Usamos de boa intenção com a empresa na tentativa de auxiliar na liberação do recurso, que estava demorando demais para ser liberado", relatou. O engenheiro informou ainda que ainda não tinha conhecimento integral da ação e por isso precisaria analisar melhor o processo. A Emater informou que como não faz parte do processo neste momento, prefere não se pronunciar sobre a ação.
Paranzini reconheceu que recebeu quase o valor total. "Tenho interesse em resolver a questão, mas não há como devolver todo o dinheiro já que mais de 60% da obra foram concluídos", afirmou. A reportagem não conseguiu contato com a Reasol.

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