São Paulo, 20 (AE) - A festa dos 500 anos de Brasil acaba de motivar a abertura de inquérito civil público que poderá resultar numa ação de improbidade administrativa. Em razão do fiasco envolvendo a réplica da nau Capitânia, a que trouxe Pedro álvares Cabras às terras brasileiras, o procurador da República na Bahia, João Bosco Araújo Fontes Júnior, abriu inquérito civil público para investigar as responsabilidades pelo fato de a embarcação ter ficado de fora da abertura da grande festa dos 500 anos.
A réplica da nau Capitânia era uma das grandes vedetes da festa. Há dois anos, os engenheiros do Clube Naval do Rio de Janeiro trabalham nesse projeto, estimado em cerca de R$ 4 milhões. Parte da verba gasta no projeto veio dos cofres públicos, através do Ministério do Esporte e Turismo. É por essa razão que o procurador Araújo Fontes determinou a abertura das investigações. "O Ministério Público não pode fechar os olhos à forma como o dinheiro público está sendo empregado", garante o procurador.
Batizada com toda a pompa na segunda-feira na Base Naval de Aratu, Baía de Todos os Santos, a nau deveria fazer um percurso infinitamente menor do que o realizado por Cabral há 500 anos. Deveria ter seguido nessa quarta-feira de Salvador para Porto Seguro, liderando uma frota de 40 embarcações. Mas nem mesmo a verba polpuda e toda tecnologia disponível nessa virada de milênio foram capazes de lançar a caravela ao mar.
A primeira explicação para o fiasco foi o não funcionamento do sistema de propulsão à vela. Depois, o almirante Domingos Castelo Branco, integrante da equipe de construção, anunciou que seria necessário colocar 18 toneladas de chumbo no lastro da embarcação para dar mais estabilidade. O chumbo chegou à Salvador nessa sexta-feira. O almirante garante que dessa vez a nau será lançada ao mar, no sábado de aleluia e poderá, ao menos
participar dos festejos da primeira missa realizada no Brasil, no dia 26 de abril.
Classificado como um barco infinitamente mais sofisticado, seguro e confortável que a de Cabral, a réplica da nau Capitânia possui, entre outros equipamentos, dois motores de 285 HPs de potência cada um. Mas na prática, a réplica mostrou-se bem mais ineficiente que as velhas e inseguras caravelas que atravessavam o Atlântico há 500 anos. "Pelo menos, o fiasco serviu para que o MP inicie um processo de investigação que apure se a réplica da nau de Cabral também esteve navegando por algum mar de lama"
reitera o coordenador do Centro de Treinamento do Movimentos dos Sem-Terra (MST) de São Paulo, Ibrahim Thame.

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