É cada vez maior o número de atendimentos realizados pela Promotoria de Investigação de Paternidade. Vinculada ao Ministério Público Estadual (MP), em Curitiba, o órgão auxilia pais e mães que buscam o reconhecimento de filhos nascidos de relações onde a paternidade é colocada em dúvida. Até setembro deste ano 4.071 pessoas passaram pela promotoria, contra 3.693 atendidas no mesmo período de 2000. Em todo o ano passado foram 4.598 atendimentos. A promotoria acredita que até o final deste ano cerca de cinco mil pessoas devem procurar o órgão.
No entanto, nem todos os casos são de pessoas que buscam o reconhecimento da paternidade. A maior parte da população vai até a promotoria atrás de informações e orientações sobre como proceder no caso de o filho já ter a paternidade reconhecida, mas não recebe o devido auxílio por parte do pai.
Além de garantir o acesso à Justiça, o trabalho de investigação de paternidade do Ministério Público contribui para desafogar o Poder Judiciário. De acordo com a promotora Galatéia Fridlund, da Promotoria de Investigação de Paternidade, 70% dos casos que chegam ao MP são resolvidos de forma extrajudicial, sem a necessidade de encaminhamento do processo ao Poder Judiciário. Pai e mãe concordam em fazer o exame de DNA, reconhecem o resultado e o processo é dado por encerrado na esfera do Ministério Público.
Apenas 15% dos casos que passam pelo MP geram ação na Justiça. Nessas situações, o processo chega ao Poder Judiciário com o resultado do DNA pronto. Segundo Galatéia, esta também é uma forma de facilitar o trabalho do juiz, que não vai precisar solicitar o exame. Na verdade, disse a promotora, a Justiça terá apenas que homologar o processo e garantir o reconhecimento da paternidade, a partir de investigação efetuada pelo MP. Os outros 15% são casos que representam situações onde, na maioria das vezes, a mãe é encaminha à sua comarca de origem.
Nem sempre é a mãe quem procura a Justiça para que o pai reconheça o filho. Existem situações onde a mãe não quer revelar a paternidade e o suposto pai é que procura a Justiça para tentar reconhecer o filho. Isso acontece muito quando a mãe tem autonomia financeira e não quer dizer quem é o pai. Em outros casos, quando o DNA dá negativo, é porque a própria mãe não sabe quem é o pai e, por isso, recorreu à promotoria.

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