São Paulo, 21 (AE) - A promotora Eliana Passarelli - que acompanha as investigações da polícia sobre a morte do calouro da Faculdade de Medicina Edison Tsung Chi Hsueh, de 22 anos - apura, além de um assassinato, a possibilidade do uso de drogas durante o trote. Ela adiantou que, pelas declarações dos calouros no inquérito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o uso de lança-perfume e o excesso de bebida "são um fato concreto".
A suspeita do uso das drogas, segundo Eliana, fundamenta-se na violência do comportamento dos veteranos. "Os calouros declararam que muitos estavam transtornados", relatou a promotora. No fim da manhã de 22 de fevereiro, cem calouros e 200 veteranos estavam na Associação Recreativa Oswaldo Cruz, dos alunos da Faculdade de Medicina. Além de ser atirados na piscina
para o batismo de ingresso à faculdade, os calouros foram obrigados a beber cachaça e cerveja.
Muitos alunos deram entrada em coma alcoólica no Hospital das Clínicas. A promotora quer saber se havia droga. "Nas fichas de atendimento, vou verificar se existe o registro somente da ingestão de álcool ou se houve a constatação do uso de drogas pelos estudantes".
O Hospital das Clínicas encaminhou à promotora 4 mil fichas de atendimento no Pronto-Socorro na tarde e na noite de 22 de fevereiro. A Faculdade de Medicina entregou ao Ministério Público as fichas dos 1.080 alunos. "Vou começar a checar para saber quantos dos atendidos nas Clínicas estão na lista da faculdade". A Telefônica deverá mandar para a polícia, até a próxima semana, a lista com os números dos telefones dos participantes do trote: veteranos e calouros.
Uma parte já está com a promotora. "Preciso de tudo para confrontar e saber quem ligou na madrugada do dia 23, perto de 4 horas, perguntando ao vigilante se tudo estava bem e se não havia nada de anormal na associação". O vigilante que deu essa informação à promotora e ao delegado Marcelo Damas, responsável pelo inquérito, voltou a ser ouvido na semana passada e mudou o depoimento.
Alegou ter recebido a ligação na madrugada do dia 24 e não no dia anterior. Para Eliana, o vigilante foi pressionado a mudar. "Quem sabe o ameaçaram até com a perda do emprego". No primeiro depoimento, a promotora perguntou ao vigilante se alguém havia telefonado. "Ele respondeu que sim e repetiu ter sido na madrugada de 23, horas antes do encontro do corpo". Barbante - Os calouros ouvidos pela polícia informaram ter sido amarrados pelo pulso, com barbante, nas dependências da Faculdade de Medicina, e levados para a associação. Foram amarrados para não escapar do trote e atirados na piscina em grupos de cinco. Eliana disse que ninguém perguntou aos calouros quem sabia nadar e muitos quase se afogaram. O Instituto de Criminalística (IC) está analisando três fitas de vídeo, filmes, fotos e disquetes apreendidos na semana passada na sede da associação.

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