MP apura se polícia falhou em investigação
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quarta-feira, 12 de agosto de 1998
Alceu Luís Castilho Agência Estado 
O Ministério Público vai apurar se houve falhas da polícia na investigação do desaparecimento da estudante Isadora Fraenkel, em fevereiro. A partir da denúncia de familiares das vítimas de Francisco de Assis Pereira, o motoboy de 31 anos, de que sete mortes teriam sido evitadas caso a polícia tivesse agido com mais eficiência na ocasião, o procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, solicitou anteontem a um grupo de promotores do MP, o Serviços Auxiliares e de Informação (SAI), que estude a ação da Delegacia de Pessoas Desaparecidas no caso.
Segundo Gabriel Inellas, um dos seis promotores do SAI, o trabalho vai ser feito em conjunto com oito juízes do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), órgão da Corregedoria da Polícia Judiciária, e com a Corregedoria da Polícia Civil. Não há data prevista para o término da apuração. Não temos idéia, pois ainda não recebemos as cópias do inquérito do caso de Isadora, informou Inellas ontem. Somente a partir da leitura do inquérito vamos saber que diligências precisam ser feitas e quantas pessoas ouvidas.
O assassino confesso de pelo menos dez mulheres no Parque do Estado foi condenado por estelionato, por ter utilizado dois cheques de Isadora, mas foi solto. As suspeitas só foram retomadas após a descoberta de vários corpos no parque, no início de julho.
As críticas dos parentes têm o respaldo de advogados criminalistas famosos, como Jairo Fonseca, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Pelo menos em um dos pontos do caso os especialistas concordam ter havido fragilidade na investigação policial: a falta de checagem da informação, dada por Pereira, de que ele era namorado da estudante, e por isso estava de posse dos cheques. Só se dá cheque em branco para alguém em quem se confia muito, raciocina o criminalista. Qualquer policial primário relacionaria o episódio à condenação de Pereira por atentado violento ao pudor, em São José do Rio Preto.
Fonseca chega até a ficar irritado ao garantir que a polícia não deu ao caso a importância que ele tinha. Se hoje o assassino diz que ele a matou no mesmo dia, na época ela ainda poderia até estar viva, amarrada em uma árvore e sofrendo, afirma. Por que a polícia não o seguiu?, questiona.


