São Paulo - O Ministério Público (MP) de São Paulo irá apurar se houve negligência na liberação do edifício da Igreja Renascer, localizado no Cambuci (zona sul de São Paulo), cujo teto desabou na noite de domingo, provocando nove mortes e deixando ao menos 114 feridos. De acordo com o órgão, em 1998, o prédio foi interditado pois o teto e o forro já apresentavam problemas e ofereciam riscos aos frequentadores.
Segundo a promotora da Justiça de Habitação e Urbanismo, Mabel Prietto de Souza, na ocasião, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) inspecionou o local e determinou que o teto fosse reconstruído ou reformado - determinação que foi seguida pela Renascer. Em 1999, após a realização das obras, tanto o IPT, quanto um engenheiro contratado pela Renascer informaram que o teto estava regular, e o Ministério Público liberou a igreja para funcionamento.
''Para nós, isso (o desabamento) foi uma total surpresa. É inconcebível que um teto reformado em 1998 caia dez anos depois'', afirmou Mabel. Ainda de acordo com a promotora, em 2008, a Renascer apresentou um novo certificado de segurança do local - atestado por um engenheiro particular - que foi aceito pela Prefeitura de São Paulo.
De acordo com o promotor Ricardo Andreucci, que coordenará as investigações sobre o caso, o Ministério Público irá investigar se houve negligência por parte dos engenheiros que assinaram os laudos ou se a reforma foi mal feita. ''Vamos analisar por que razão foi liberado um prédio que não tinha condição de funcionar'', afirmou Andreucci.
O inquérito sobre o caso foi instaurado na 1º Delegacia Seccional de São Paulo e investigará os crimes de homicídio culposo - quando não há intenção -, lesão corporal culposa, exposição ao perigo e crime de desabamento. ''O Instituto de Criminalística realizará um novo laudo no local para apurar se a reforma de 1998 foi bem feita e as causas do acidente. Também vamos ouvir os sobreviventes, vizinhos, os pastores e engenheiros'', afirmou o promotor, que informou ainda ser cedo para apontar os culpados pelo desabamento.
Alvará
Segundo a promotora Mabel, a igreja possuía alvará de funcionamento, datado de 15 de julho de 2008, que ainda era válido e que toda a documentação da igreja estava ''regular''. Porém, segundo o Ministério Público, entre 2000 e 2008, a empresa passou um período sem a licença - o período total não foi informado - e a situação só foi regulamentada devido a uma nova ação movida pelo MP.
Em nota, a Renascer informou que possui um alvará emitido pela Secretaria Municipal de Habitação no dia 15 de julho de 2008. O documento, segundo a denominação, revalida o alvará de funcionamento do local expedido no dia 20 de dezembro de 2000.
Com isso a igreja conclui que a documentação do imóvel está legalizada. ''A Renascer em Cristo sabe da responsabilidade e importância da manutenção dos locais de culto, onde se reúnem milhares de fiéis, entre eles, idosos e crianças; a manutenção preventiva, inclusive, sempre foi uma preocupação constante; não se sabe o que ocorreu, e apenas uma investigação séria e rigorosa poderá fornecer a resposta. Pedimos encarecidamente que não sejam aceitas teses e divagações de pessoas ávidas por holofotes no meio da tragédia', informa em trecho da nota.

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