MP apura fraude em pagamentos do INSS em Curitiba e no Rio
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terça-feira, 19 de julho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) está investigando uma denúncia de suposta fraude em pagamentos de benefícios em Curitiba e no Rio de Janeiro. O processo de Ilda Silva, que morreu de câncer em maio de 1999, foi encaminhado para o Controle Interno do INSS, em Brasília, que irá investigar o motivo de uma menina de dez anos, identificada como M.S.A., estar recebendo pensão como se fosse filha de Ilda. A certidão de óbito de Ilda Silva deixava claro que ela não tinha filhos, nem bens. A parente mais próxima seria a mãe dela, Benedita Maria de Lima.
A suposta fraude só foi descoberta porque a família de Ilda resolveu sacar a correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) que ela teria direito se fosse viva. Entretanto, para retirar o saldo do FGTS, a Caixa Econômica Federal (CEF) pediu uma declaração do INSS. Lá, Benedita descobriu que uma suposta filha de Ilda estaria recebendo o benefício através de um tutor, identificado como sendo Michael Santiago Andrade. A assessoria de imprensa do INSS informou que a agência do Rio de Janeiro vai notificar judicialmente o segurado (no caso, Andrade) para que ele compareça num prazo de 15 dias e comprove que a menina é efetivamente filha de Ilda.
O INSS de Curitiba não quer falar em fraude. Admite que pode ter havido algum tipo de erro, como troca de Cadastro de Pessoa Física (CPF) o que poderia ter gerado a confusão. Caso o segurado não tenha como comprovar parentesco ou erro na documentação, o benefício será suspenso imediatamente. Benedita pode dar entrada imediatamente nos papéis para receber o benefício de Ilda, que era segurada do INSS. Entretanto, a papelada só tramitará com a suspensão do benefício da suposta filha de Ilda.
O advogado da família, Silvio Felipe Guidi, já fez também uma denúncia formal sobre a suposta fraude na Delegacia Especial de Crimes contra a Previdência (uma força-tarefa que reúne integrantes da Polícia Federal, MP federal e técnicos da Previdência Social).
O MP já pediu a documentação dos beneficiários de Ilda no Rio de Janeiro, mas ainda não a recebeu. Com os documentos, o MP poderá denunciar Andrade por falsidade ideológica. A Folha tentou ontem contato com Andrade, no Rio de Janeiro, mas não conseguiu localizá-lo. O celular de Guidi não atendeu e não havia caixa postal para deixar recados.


