MP apura denúncia contra vereador
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 05 (AE) - O Ministério Público está apurando a participação do vereador e deputado estadual eleito Hanna Garib (PPB) no esquema de propinas da Administração Regional da Sé. A informação foi dada hoje pelo promotor José Carlos Blat. "Há indícios veementes que apontam para o deputado", disse. E concluiu: "Isso não quer dizer que há provas para condená-lo". Blat afirmou que é "quase certo" que o vereador seja ouvido para esclarecer o que vem sendo dito "por várias pessoas" durante as investigações da 2.ª Delegacia Seccional.
Hoje, a polícia e o MP ouviram os depoimentos de 12 camelôs do Brás sobre o esquema de pagamentos de propinas aos fiscais. "O primeiro deles a depor disse que os comerciantes do Brás pagaram para Garib retirar os camelôs da região e por sua vez os ambulantes pagaram para ficar", afirmou o promotor. Os camelôs reconheceram alguns dos fiscais da Administração Regional da Sé, presos pela polícia, como sendo aqueles que cobravam a propina dos ambulantes. "Eles identificaram os mesmos fiscais que disseram que parte do dinheiro ia para o deputado", afirmou Blat. Segundo o promotor, cinco a seis fiscais da Sé apontaram Garib como beneficiário das propinas, mas afirmaram que nunca viram o vereador receber o dinheiro.
No começo da noite, o presidente da Associação Comercial do Brás, Wehbe Dawalibi, procurou espontaneamente a seccional para depor sobre o caso. "Estão faltando poucas provas para a conclusão do inquérito", afirmou o delegado Romeu Tuma Júnior, titular da 2.ª Delegacia. Prisão - Horas antes, o delegado havia prendido mais um fiscal da Sé, suspeito de envolvimento no esquema de corrupção. Euclides de Oliveira foi detido em casa. Ele teve a prisão por cinco dias decretada pela Justiça. Além dele, cinco outros funcionários da Sé foram intimados a depor pela polícia e compareceram à delegacia. São dois assessores do gabinete do administrador, o chefe do Departamento Pessoal da Regional, um fiscal e o supervisor de Vias Públicas do órgão. Até o começo da noite, Tuma Júnior não havia decidido quais deles seriam indiciados e se algum permaneceria preso temporariamente. "Devo indiciar pelo menos dois deles".
O delegado afirmou ainda que deve pedir o sequestro dos bens de três envolvidos no escândalo, sob a alegação de que eles foram obtidos com dinheiro ilícito. "Eles confessaram que adquiriram os bens com o que ganharam como propina". Dossiê - O MP entregou hoje na delegacia um dossiê feito em 1995 pelo então presidente do Conselho Consultivo do Sindicato dos Permissionários, o sindicato oficial dos camelôs, Soluamarte Emídio Cruz, que denunciou o esquema de propinas na Sé. Cruz havia deixado uma cópia do dossiê com sua mulher, Maria Lídia de Oliveira Santos, que tornou o documento público após a sua morte, em 1998. Na época, os envolvidos negaram as acusações. "Alguns dos citados no dossiê são os acusados nessa investigação", disse Blat. Pelo dossiê, 50% da propina ia para a Regional da Sé e 50% para a diretoria do sindicato.


