MP apura acusação de bicheiro contra Roriz
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva e Chico Araújo (especial para a AE) 
Brasília, 24 (AE) - O Ministério Público (MP) do Distrito Federal vai apurar a acusação do bicheiro Manoel Ventura Durso contra o governador Joaquim Roriz (PMDB). Em depoimento à Procuradoria de Justiça, Durso não apresentou provas, mas disse que apoiou financeiramente a campanha de Roriz
esperando receber de volta benefícios na exploração de um nova loteria que está sendo criada pelo governo local para sustentar programas sociais. Em entrevista a uma emissora de televisão de Brasília, Durso admite ter cometido crime eleitoral. A Assessoria de Imprensa do governo do DF nega.
Em entrevista à TV Brasília, Durso disse que, na época das eleições, foi chamado por Roriz para auxiliar na campanha. "Nós conversamos; eu prontifiquei-me", contou Durso na entrevista. "Logo a seguir, eu citei que tinha gente de fora querendo invadir Brasília e ele prometeu textualmente que não dava oportunidade a ninguém, e que se desse oportunidade a alguém seria de Brasília", afirmou o bicheiro. Durso contou que começou a contribuir com R$ 10 mil ao mês, mas passou a dar R$ 15 mil a pedido de Roriz.
Ainda na entrevista, o bicheiro diz-se revoltado: "Se eu tava (sic) ajudando ele a ponto de cometer crime eleitoral a lançar panfletos no meio do pessoal do PT", disse Durso. Segundo ele, o panfleto falava que "a coligação com o PFL cheirava mal, que eles (os petistas) votassem em branco ou nulo."
A bancada do PT, minoritária na Câmara Legislativa do Distrito Federal, reuniu-se hoje e decidiu entrar novamente no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com citação para que seja investigado o suposto crime eleitoral. "Agora, temos o autor", explicou a deputada Maria José da Conceição Maninha (PT). O PT também vai pedir a revisão do processo que aprovou as contas da campanha de Roriz.O governo do Distrito Federal divulgou hoje nota repelindo as "insinuações mentirosas de notório contraventor". "O único fato concreto nesse assunto é que está em curso concorrência pública, em processo legal e transparente, para implantar a loteria social do DF", diz a nota. "O próprio noticiário veiculado deixa claro que o contraventor, ao fazer suas absurdas acusações, admitiu haver tentado viciar o processo licitatório, quando propôs - e foi firmemente repelido - constituir uma comissão de licitação integrada por pessoas por ele indicadas." O assessor de Comunicação Social do governo do Distrito Federal Wellington Moraes disse que será aberto um processo criminal contra Durso. O assessor diz que teve um contato rápido com o bicheiro. "Recebi este cidadão, que estava na sala ao lado se dizendo injustiçado pela licitação; eu encaminhei-o para outra área, mas nem sabia o nome dele; ele dizia-se empresário", contou Moraes, negando que Durso tenha feito contribuições para a campanha de Roriz.
O chefe de gabinete da Procuradoria de Justiça, Leonardo Bandarra, disse que Durso não apresentou provas durante o depoimento, citando apenas a existência de testemunhas. O MP vai ouvir estas testemunhas, antes de decidir o destino que se dará ao caso.
"Depende do surgimento de indícios", afirmou Bandarra. O depoimento de Durso, segundo Bandarra, teve caráter sigiloso.


