Londrina - Uma comissão formada por vereadores acompanhou na manhã de ontem representantes do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina (MARL) numa visita ao Ministério Público. O grupo levou até a Promotoria de Direitos Constitucionais, Defesa da Saúde e Saúde do Trabalhador relato sobre a atuação da Polícia Militar durante uma apresentação de hip hop na Concha Acústica, na última sexta-feira. Trezentas pessoas passaram por revista e oito foram detidas por envolvimento com drogas. Os integrantes do MARL alegam que houve truculência por parte dos policiais e que a operação teria impedido a apresentação de acontecer.

Na segunda-feira seguinte à operação, o Ministério Público já havia recebido pela internet denúncia de uma mãe, relatou o promotor de Justiça Paulo Tavares. "Um ofício já foi encaminhado ao comando da Polícia Militar pedindo esclarecimento sobre isso", comentou. A corporação tem 10 dias para apresentar resposta, o que faz parte de um procedimento administrativo instaurado pela promotoria.

Tavares solicitou ainda que os membros do MARL façam um relatório sobre o ocorrido e o encaminhem ao MP, prefeitura, Câmara e PM. Ao mesmo tempo, assinalou o promotor, a Secretaria Municipal de Cultura deve ser convocada para prestar esclarecimentos. Um dos problemas relacionados ao episódio da Concha Acústica seria a falta de intervenção do poder público nos eventos, que poderia contribuir com banheiros químicos e segurança no local por meio da Guarda Municipal.

O MARL deve formalizar a denúncia sobre o assunto no MP até esta quinta-feira, informou uma das integrantes do movimento, Jaqueline Vieira. "Vamos fazer um boletim de ocorrência coletivo em nome do movimento e solicitar à Guarda Municipal as imagens das câmeras de monitoramento na Concha no momento da ação policial", disse.

A secretária municipal de Cultura, Solange Batigliana, comentou ontem que o argumento da omissão da pasta sobre a situação na Concha Acústica a surpreendeu. Conforme ela, nenhum apoio foi solicitado pelos grupos que usam o espaço.

A comissão formada pelo presidente da Câmara, Rony dos Santos Alves (PTB), Elza Corrêa (PMDB) e Lenir de Assis (PT) deve ouvir ainda o comando da PM em Londrina. "É importante lembrar que os direitos dos moradores do entorno precisam ser garantidos, mas que o local é um espaço público também", pontuou o vereador Rony.

A FOLHA tentou repercutir o assunto ontem com o capitão Nelson Villa, porta-voz da PM, mas não conseguiu localizá-lo.

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