MP aponta intolerância religiosa em chacina
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Danilo Marconi e Lúcio Flávio Moura<br>Reportagem Local 
Londrina Um dos líderes do movimento intitulado "Por amor a Mukumby", José Mendes de Souza, se mostrou "confortado" com a decisão da promotoria pública em oferecer denúncia criminal por motivação de intolerância religiosa contra o maquiador Diego Ramos Quirino, de 30 anos. Ele é o autor da chacina que vitimou quatro mulheres no início deste mês em Londrina, entre elas Vilma Santos de Oliveira, a Yalorixá Yá Mukumby.
Ontem, o promotor do Tribunal de Júri de Londrina Thadeu Augimeri de Goes Lima, ofereceu denúncia para a 2ª Vara Criminal. O material será analisado pela juíza Elizabeth Khater, que pode ou não acolher o pedido da Promotoria. A versão do MP diverge do inquérito apurado pela Polícia Civil, que não mencionava nenhum componente de intolerância religiosa.
Um grupo de ativistas, encabeçado por Souza, rediscutiu o crime, fator primordial para que a nova versão ganhasse força. Eles chegaram a organizar um ato público no Calçadão exigindo um aprofundamento da investigação.
"Pedimos uma audiência com o promotor Thadeu e lá colocamos alguns pontos, como as imagens de santos quebradas que estavam localizadas em outro cômodo da casa e não na sala em que os corpos foram encontrados. Outro fato marcante é que ele (assassino) passou dias observando a casa da Yá Mukumby, inclusive naquele sábado (dia do crime). Isso gerou muito desconforto em nós visitantes, que passamos horas na companhia dela", explicou.
Souza foi uma das seis pessoas ouvidas em depoimento pelo promotor Lima. "Revendo os fatos podemos afirmar que estava observando a Yá Mukumbi, lendo materiais religiosos e drenou raiva contra ela no dia do crime", observou. "Outra coisa importante que vimos é que quando ele mata a dona Allial (Oliveira, mãe de Mukumby), xinga a vizinha de vários nomes e a manda calar a boca senão também iria assassiná-la. Se uma pessoa está em surto psicótico não fala isso, ele executa", enfatizou.
Diego Ramos Quirino é acusado de cometer cinco crimes, quatro homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio. Somadas, as penas ultrapassam 135 anos. O agravante de ter sido por intolerância religiosa pode aumentar a pena em um terço.
O delegado William Douglas Soares, que presidiu o inquérito enviado ao Ministério Público, disse que respeita o teor da denúncia do promotor, mas que todo o trabalho de investigação policial sobre o caso aponta para crime comum. Ele enumerou quatro fatores que enfraqueceriam a tese de crime por intolerância religiosa.
"O primeiro é que a primeira vítima da chacina foi a mãe do acusado. O segundo é que ele também tentou matar a esposa, antes de cometer os outros três homicídios. O terceiro é que ele tentou invadir uma outra residência antes de adentrar a casa de dona Vilma. Por fim, segundo uma testemunha, ele só não cometeu crimes em Cambé, onde estava horas antes da chacina, porque foi contido", justificou.
Sobre a destruição das imagens dos santos, Soares disse que a destruição está ligada à movimentação de defesa das vítimas quando foram atacadas e ao nível de agressividade do acusado naquele ambiente. De acordo com informações publicadas pelo site odiario.com, o promotor afirmou que os laudos da perícia apontam que as imagens estavam distantes dos corpos e que não haviam sinais de que elas foram arremessadas.
O delegado admitiu que o maquiador tinha uma personalidade marcada por um forte discurso religioso e propalava um lema: "Busca a informação pela verdade, a verdade que liberta". No entanto, de acordo com o delegado, a família de Diego Quirino garantiu em depoimento que ele sempre se mostrou tolerante com quem não compactuava com suas crenças e que nunca tentou persuadir ninguém, tampouco com atos violentos.


