Rio de Janeiro, RJ- Parecer de duas peritas do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro aponta que a cantora Cássia Eller morreu devido a um erro médico. De acordo com a análise, o atendimento dado à cantora teria sido contra-indicado para eventual uso de álcool ou de qualquer outro tipo de droga.
No entanto, laudo do IML divulgado à época da morte da cantora havia negado que ela tivesse consumido qualquer substância entorpecente.
Os médicos da Casa de Sa© úde Santa Maria, onde Cássia Eller foi socorrida em 29 de dezembro de 2001, teriam ministrado, segundo a perícia, o medicamento Plasil, o que poderia ter provocado uma parada cardíaca na cantora.
De acordo com o professor de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antonio Carlos Lopes, dificilmente uma ampola de Plasil pode complicar uma intoxicação exógena causada pelo uso de outras drogas ao ponto de levar a uma parada cardíaca.
Para justificar a recusa no arquivamento do processo, o Ministério Público afirma que o laudo do exame cadavérico ''indica como causa da morte infarto agudo do miocárdio consecutivo a múltiplas paradas cardiorrespiratórias''.
''Havendo nos autos indícios de que a vítima teria ingerido álcool e cocaína antes de sua internação, a terapêutica utilizada foi equivocada, o que pode ter levado ao evento fatal'', afirma o documento.
A assessoria de imprensa do Ministério Público afirma que o processo sobre a morte da cantora foi enviado à 6 Promotoria de Investigação Penal de Laranjeiras. Procurada pela Folha Online, a Casa de Saúde Santa Maria não se manifestou sobre o parecer.
A suspeita de erro médico já havia sido negada pela clínica em 2002. O laudo divulgado pelo Instituto Médico Legal, no mesmo período, não apontou vestígios de drogas ou álcool no corpo de Eller.
Na época, o laboratório fabricante do Plasil fez uma pesquisa em seus arquivos e não encontrou nenhum caso registrado de morte por plasil injetável no Brasil.
De acordo com o item ''interações'' da bula do medicamento, álcool, anestésicos, hipnóticos, sedativos, narcóticos e tranquilizantes potencializam o efeito sedativo.
Cássia Eller morreu aos 39 anos, após sofrer três paradas cardíacas.

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