MP analisa pedido de suspensão do funcionamento da Usina Angra I
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quinta-feira, 21 de outubro de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 22 (AE) - O Ministério Público Estadual do Rio está examinando o pedido feito pela Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa Fluminense (Alerj) de suspensão do funcionamento da usina nuclear Angra I e o desligamento de seu reator devido a problemas de segurança. De acordo com relatório do Departamento de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio (COPPE/UFRJ), a usina teve oito paralisações não-programadas este ano.
Hoje, os presidentes da comissão da Alerj, deputado Carlos Minc (PT) e da Eletronuclear (operadora de Angra I), engenheiro Pedro Figueredo; além de representantes de entidades ambientais e do vice-diretor do Coppe, professor e físico Luiz Pinguelli Rosa, participaram de uma audiência pública na Alerj para tratar do assunto. "Pedimos a interrupção do funcionamento de Angra I e do reator até que sejam esclarecidas as causas das paralisações não-programadas", disse Minc. Segundo ele, a comissão solicitou ao MP a abertura de um relatório para investigar o sistema de operação de Angra I.
O estudo da Coppe, elaborado por Pinguelli Rosa, mostra que seis interrupções da usina ocorreram no primeiro semestre e duas nos últimos meses. Para o físico, a soma das paralisações não-programadas pode oferecer o perigo de um desastre nuclear. "O reator parou um número excessivo de vezes, e isso pode representar um risco para a população", afirmou o professor. Ele explicou que essas interrupções ocorrem porque o reator chegou ao limite de sua capacidade operacional. O presidente da Eletronuclear admitiu que o aparelho está funcionando além de sua expectativa, mas afirmou que não existe o risco de um acidente nuclear.
A Procuradoria Geral República, no Rio, e o Insituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) receberam, em julho deste ano, o relatório da Coppe e estão analisando o estudo.


