MP ainda não tem provas materiais contra skinheads
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 16 (AE) - O Ministério Público ainda não tem provas materiais contra o grupo de 18 skinheads presos na madrugada do dia 6 sob a acusação de espancar até a morte o adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 34 anos. Mesmo assim
o promotor Marcelo Milani diz ter provas suficientes para condenar os acusados. "Com relação aos homicídios há provas contra muitos e com relação à formação de quadrilha, contra todos", disse Milani. Ele aguarda a conclusão dos laudos do Instituto Médico-Legal (IML). Por enquanto, as provas da promotoria são, na maioria, testemunhais. Um dos laudos é o da causa da morte do adestrador. O outro examinará um soco inglês apreendido com uma das duas mulheres presas - a acusação busca sangue nesse objeto. "Temos provas circunstanciais e testemunhais suficientes; estou convicto de que essas pessoas são perigosas", disse Milani.
Para a advogada Marcela Moreira Lopes, que defende um dos presos - Onilmar Rocha de Queiroz -, a polícia não conseguiu provas contra seu cliente da acusação de ele pertencer a uma quadrilha de "carecas" e muito menos no caso de homicídio. Segundo ela, seu cliente não foi reconhecido por nenhuma testemunha ou vítima do grupo. "Temos uma testemunha que confirma a versão de nosso cliente de que o encontro dele com o grupo de carecas foi acidental".
Além dele, outros acusados não foram reconhecidos por nenhuma testemunha. Apenas um dos 18 foi reconhecido pela principal testemunha do crime, o vendedor C.A.B., de 34 anos. O supervisor de segurança Vanderlei Aparecido Sá, de 33, foi apontado como o homem que chutou várias vezes a cabeça do adestrador, já caído no chão. Nenhuma das outras testemunhas conseguiu reconhecer os acusados. Nem Dario Pereira Netto, que andava de mãos dadas com o adestrador quando ambos foram atacados pelos carecas na Praça da República. Ele confirmou que o ataque foi praticado por um grupo de skinheads, mas afirmou que não conseguiu guardar o rosto de nenhum. Quadrilha - O promotor conta ainda com outras sete testemunhas, duas das quais ele espera poder reconhecer os acusados em seus depoimentos na 1.º Vara do Júri. Milani disse que somente após a instrução processual poderá definir quem responderá pelo quê. "Com certeza, todos deverão responder à acusação de formação de quadrilha no plenário".
Cinco dos carecas foram apontados como autores de agressões contra duas pessoas - o restaurador de móveis D.F., de 31 anos, e o punk A.N.P., de 40. Todos os acusados alegam inocência. Dolo - Segundo a advogada, os réus, no máximo, poderiam ser acusados de homicídio com dolo eventual. O dolo, ou seja, a vontade de praticar o assassinato, é eventual quando o autor, embora não queira o resultado, assume o risco com a sua conduta de provocar o homicídio.
No caso, um grupo de skinheads, que pode não ser o dos acusados, bateu na vítima com a intenção de feri-la e não de matá-la. Mas teria feito isso de maneira tão violenta, até chutando a cabeça da vítima, que teria assumido o risco de matar o adestrador. "No caso de o dolo ser eventual não há como acusá-los de tentar matar o adestrar; os acusados só podem ser acusados de lesão corporal, pois a intenção era de feri-lo e não matá-lo".


