MP aguarda anulação do júri de acusados de magia negra
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terça-feira, 07 de novembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Ministério Público (MP) estadual aguarda para quinta-feira (9) o julgamento do pedido de anulação do júri que absolveu dois dos sete acusados de matar num suposto ritual de magia negra o menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, em Guaratuba, litoral paranaense. Airton Bardelli dos Santos e Francisco Sérgio Cristofolini foram absolvidos após quatro dias de julgamento, em junho do ano passado. O MP recorreu dizendo que a decisão dos jurados foi contrária às provas contidas nos autos. O recurso será julgado às 13h30 pela 1 Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ).
De acordo com a denúncia do MP, Evandro foi morto em abril de 1992. Bardelli e Cristofolini teriam participado indiretamente do sacrifício macabro que teria vitimado o garoto. Bardelli era funcionário da serraria, onde o suposto ritual de magia negra teria acontecido. Cristofolini teria auxiliado a planejar o sequestro do menino, no dia 6 de abril de 1992. No ano passado, os dois negaram ter participado do crime. Os advogados demonstraram para os jurados que os dois teriam sido incluídos na denúncia sem provas materiais, apenas para completar o número de acusados que teriam que ser ''sete'' pela lógica dos rituais satânicos.
Três dos sete acusados foram condenados: os pais-de-santo Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula Ferreira (homicídio triplamente qualificado e sequestro) e o ajudante de terreiro Davi dos Santos Soares (homicídio). Marcineiro e de Paula foram condenados a cumprir 20 anos e dois meses de prisão cada um. Soares pegou uma pena de 18 anos e quatro meses de prisão. As duas acusadas de terem encomendado o ritual e terem participado do sacrifício, Celina e Beatriz Abagge, foram absolvidas num primeiro júri em 1998, mas o MP conseguiu a anulação do julgamento porque os jurados teriam sido induzidos a acreditar que o corpo encontrado em Guaratuba poderia não ser de Evandro. O MP apresentou os exames de DNA comprovando que o corpo era do menino. Novo julgamento ainda não foi marcado.


