MP aciona sindicato por causa de protesto na marginal em que um homem morreu
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Uilson Paiva 
São Paulo, 04 (AE) - O Ministério Público ingressou hoje com ação civil pública pedindo indenização de R$ 1,5 milhão ao Sindicato dos Trabalhadores em Lotação de Guarulhos (Sindilotação) e nove de seus diretores. O processo responsabiliza o sindicato por transtornos causados à população num protesto organizado em 22 de abril de 1997. O ato bloqueou totalmente o tráfego na Marginal do Tietê, vias local e expressa, sentido Penha-Lapa, nas imediações da Ponte da Vila Guilherme. Preso no congestionamento, Benedito Alves, de 65 anos, teve parada cardíaca e morreu, dentro de um ônibus, impedido de receber socorro.
A manifestação era contra a proibição do transporte por peruas. Participaram cerca de 200 perueiros. A partir das 8h20, eles bloquearam a Marginal com peruas, provocando um congestionamento de 9 quilômetros. No acesso à Via Dutra, o engarrafamento atingiu 15 km; na Rodovia Ayrton Senna, 5 km; na Fernão Dias, 10 km - totalizando 39 km de paralisação. A normalidade do trânsito só foi restabelecida às 14h40. Grávida - Na ação, os promotores Túlio Tadeu Tavares e Marco Antônio Marcondes Pereira estimam que foram afetados pelo menos 10,5 mil veículos e 36 mil pessoas. Além da morte de Alves, é relatado o caso de Neuza Rodrigues, de 31 anos, grávida de nove meses, que passou mal depois de ficar duas horas dentro de um carro. "A se permitir que cada uma das categorias profissionais de São Paulo busque evidência para suas reivindicações atentando irresponsavelmente contra a normalidade do trânsito, a cidade tornar-se-á um caos", afirmam os promotores.
Os representantes do Sindilotação não foram encontrados hoje. Outra ação semelhante foi proposta em janeiro contra o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de São Paulo, exigindo R$ 860 mil pela interdição da Rua da Consolação, avenidas Rebouças e Paulista, em 1997.


