Curitiba - Cerca de 17 mil pessoas na Região Metropolitana de Curitiba estão sem receber benefícios da previdência social como auxílios-maternidade, doença e aposentadoria por invalidez. A falta de atendimento foi provocada pela edição da Medida Provisória (MP) 242, que trata do auxílio- doença, publicada no dia 28 de março. A MP entrou em vigor, mas o INSS não colocou o novo cálculo no sistema, o que vem prejudicando a concessão de benefícios.
  A denúncia foi feita ontem pelos sindicalistas Nuncio Manalla e Paulo José Zanetti, da Força Sindical de Curitiba. Eles participam do Conselho Previdenciário da Grande Curitiba e verificaram falhas no atendimento do INSS do Paraná em decorrência da falta de estrutura e cortes no orçamento do órgão.
  De acordo com Manalla, o Paraná tem uma perda de receita da Previdência da ordem de R$ 4 bilhões por ano, e ‘‘quem sofre com isso é a população que deixa de ter acesso aos benefícios’’, afirmou.
  O sindicalista exibiu um levantamento do INSS em que a superintendência do Rio Grande do Sul tem um orçamento de R$ 10,5 bilhões, enquanto o Paraná fica com R$ 6,5 bilhões. O orçamento é destinado conforme o número de população e de agências no Estado. Segundo o sindicalista, a diferença de população do Paraná com o Rio Grande do Sul é pouco mais de 100 mil pessoas a favor do estado gaúcho, o que não justifica a disparidade no orçamento.
  Manalla criticou a estrutura precária no atendimento do INSS, a falta de funcionários e o ambiente de pressão que eles trabalham com uma imensa fila, onde as pessoas ficam por mais de cinco horas até serem atendidas. ‘‘Nesse ambiente, muitos funcionários acabam se afastando porque não aguentam a pressão’’. O sindicalista perguntou a quem interessa esse ambiente de caos social num serviço tão importante como o previdenciário.
  Outra denúncia dos sindicalistas refere-se às fraudes na concessão de aposentadoras. Das 23,5 milhões de aposentadorias e pensões existentes no País, pelo menos 4,5 milhões seriam fraudulentas.‘‘Os maiores índices de fraudes estariam no Rio de Janeiro e nos estados do Nordeste, principalmente o Maranhão’’. No Paraná, Manalla estima que das 1,1 milhão de aposentadorias, 200 mil seriam fraudes. Os sindicalistas atribuíram as fraudes à falta de recadastramento das aposentadorias.
  Segundo Zanetti, a precariedade do sistema de informática do INSS, feito pela Dataprev, ampliou a possibilidade de fraudes para o sistema financeiro. Quase 10% dos aposentados e pensionistas já contrataram empréstimos oferecidos pelo microcrédito e Zanetti estima que 9% desses empréstimos foram feitos para pessoas mortas. ‘‘O sistema arcaico rejeita nomes com omissão de uma letra e com isso, muitas famílias continuam recebendo aposentadorias indevidas ou fizeram empréstimos, por telefone, mesmo depois que o segurado morre’’.

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