Movimentos sociais pedem investigações sobre o Banco da Terra
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quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Hugo Marques, especial para a AE 
Brasília, 27 (AE) - O Fórum Nacional da Reforma Agrária entregou hoje ao Banco Mundial, em Brasília, um pedido de instalação de novo painel de inspeção do Banco da Terra. Os movimentos sociais entraram hoje com pedido de abertura de inquérito junto à Procuradoria-Geral da República, para investigar o Banco da Terra. Pedido semelhante de instalação de painel de inspeção foi enviado pelo Fórum da Reforma Agrária ao Banco Mundial, em dezembro do ano passado, mas foi negado depois que técnicos fizeram uma vistoria no Brasil.
O principal coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que desta vez os movimentos sociais têm provas de que houve "corrupção" no Banco da Terra. Segundo documentação enviada pelo próprio Ministério de Política Fundiária, dizem os representantes dos movimentos sociais, foi comprada área passível de desapropriação com valor superior às avaliações feitas pelo Instituto Nacional de Cplonização e Reforma Agrária (Incra).
Técnicos que ajudaram a implantar o Banco da Terra explicaram que o preço da terra ficou mais elevado em algumas áreas porque a escolha da fazenda a ser comprada é do próprio agricultor. Muitos agricultores escolheram terras com nascentes e que já tinham infra-estrutura, como cerca e açude. O documento entregue ao Banco Mundial denuncia ainda que há muitos laudos de avaliação sem a assinatura dos responsáveis e que muitas áreas foram compradas de grandes grupos econômicos.
O Banco Mundial pretende receber representantes de movimentos sociais e ecológicos em Brasília na próxima terça-feira. O novo vice-presidente do banco, David dFerranti, quer ouvir todas as reivindicações e abrir canais de comunicação com todas as organizações não governamentais do País.
O Ministério de Política Fundiária informou hoje que o ministro Raul Jungmann deu por "esgotado" o pedido de instalação de novo painel de inspeção. Segundo a assessoria, o ministro já deu respostas a todas as denúncias.


