Organizadores da mobilização marcaram concentração para a Concha Acústica, no centro de Londrina
Organizadores da mobilização marcaram concentração para a Concha Acústica, no centro de Londrina | Foto: Gustavo Carneiro



Uma mobilização de trabalhadores de diversas categorias profissionais e integrantes de movimentos populares será realizada nesta quarta-feira, 15 de março, em todo o País. O Dia Nacional de Paralisação é uma reação contra as reformas da Previdência Social e trabalhista propostas pelo governo federal. Organizadores projetam uma ampla adesão às manifestações programadas para as principais cidades do Estado.

Em Londrina, uma marcha "contra o fim da aposentadoria" está marcada para as 9 horas. A concentração será na Concha Acústica, no centro da cidade. Vários sindicatos convocaram as categorias para protestar no dia de mobilização nacional. Os trabalhadores do transporte coletivo urbano e metropolitano foram orientados a paralisar as atividades. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, destacou que os ônibus não devem circular antes do meio-dia. "Os trabalhadores não podem abaixar a cabeça e aceitar o que o Congresso quer impor", defendeu.

No entanto, ainda durante a tarde desta terça-feira (14), o sindicato que representa as empresas que prestam serviços no transporte coletivo urbano e metropolitano (Metrolon) obteve decisão judicial para a manutenção dos serviços de forma parcial. Conforme o documento, pelo menos 50% ou 70% dos motoristas e cobradores teriam que atuar nos horários determinados pela Justiça. Caso contrário, o sindicato dos trabalhadores pode ser multado em R$ 200 mil. O Sinttrol iria recorrer da decisão ainda na noite desta terça.

Os servidores municipais poderão aderir ao protesto utilizando o banco de horas para desconto da falta ou o desconto de um dia de férias, segundo informou a Prefeitura de Londrina. Já os plantonistas dos órgãos de saúde deverão cumprir a jornada de trabalho normalmente. O funcionamento das escolas municipais ficará a cargo dos diretores e servidores. Conforme a Secretaria Municipal de Educação, grande parte das escolas deve permanecer fechada nesta quarta-feira. Nesses casos, a aula será reposta posteriormente.

O Sindicado dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) havia solicitado o abono da falta. Uma nova reunião com os servidores e representantes da prefeitura deve ser realizada após a paralisação. "Os motivos do protesto são importantes para todos os trabalhadores. A previdência do município é similar à previdência nacional. As regras são as mesmas. Essa mudança é prejudicial. A reforma não está sendo discutida e quem vai pagar a conta é o trabalhador. Temos que buscar alternativas e não retirar direitos", ressaltou o presidente do sindicato, Marcelo Urbaneja. Servidores técnico-administrativos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) também decidiram parar as atividades nesta quarta.

De acordo com o Sindicato das Classes de Policias Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), todas as categorias relacionadas à segurança, em acordo com a União dos Policias do Brasil (UPB) participam da mobilização. O presidente do Sinclapol, André Luiz Gutierrez, explicou que os policias civis trabalharão durante o dia todo no esquema de plantão e que serviços como confecção de carteira de identidade não serão realizados. "Quem tinha atendimento agendado para o dia 15 de março terá que fazer na próxima quarta-feira (22)", orientou.

O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde Pública do Paraná (Sindisaúde), que possui uma pauta específica de reivindicações, diz que cumprirá os 30% como manda a lei de greve nos locais onde a adesão for grande. "A falta de material básico e de profissionais já faz parte da rotina. Corre o risco de que em alguns locais as pessoas nem percebam a diferença", observou a diretora do Sindisaúde, Elaine Rodella. Sobre a paralisação geral, o governo estadual não quis se pronunciar.

Em Curitiba, manifestantes acompanham audiência pública
Em Curitiba, as manifestações começarão às 9 horas, sendo que as praças Santos Andrade, 19 de Dezembro e Tiradentes concentrarão boa parte dos manifestantes que devem marchar até o Centro Cívico para acompanhar, às 10 horas, a audiência pública sobre a reforma da Previdência, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná. Para algumas categorias como os trabalhadores da educação, o 15 de março marcará o início da greve, que foi aprovado em assembleia no dia 11 de fevereiro, atendendo a uma orientação da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE).

"Não houve avanço com o governador até o momento, apesar de todas as nossas ações. Ele começou o ano reduzindo a hora-atividade e punindo os professores com afastamentos legais. E, por enquanto, a greve seguirá por tempo indeterminado", explicou o secretário de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), Luiz Fernando Rodrigues. "Soma-se a isso, os direitos de todos os trabalhadores que estão colocados na berlinda com essas reformas, por isso nos juntamos paralisação nacional."

Na última reunião entre os trabalhadores e o governo do Estado, na segunda-feira (13), o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, e a secretária estadual de Educação, Ana Seres, fizeram um apelo para que não houvesse greve, mesmo sem qualquer avanço nas reivindicações da categoria. Em nota, o governo e a Seed disseram lamentar a decisão de paralisar as aulas, "o que prejudica mais de 1 milhão de alunos da rede pública estadual do Paraná e suas famílias".

De acordo com a Seed, as últimas paralisações deixaram prejuízos próximos a R$ 100 milhões, em contratações de temporários para reposição de aulas, merenda estragada e transporte escolar fora do período letivo tradicional.

O governo também reforçou o anúncio de que vai descontar as faltas dos servidores que entrarem em greve. Para os pais e responsáveis por alunos da rede estadual de ensino, a Seed recomenda que entrem em contato com a escola e verifiquem se há alguma alteração nas atividades regulares nesta quarta.

As reformas continuam em discussão na Câmara dos Deputados. Na quinta-feira (16), às 9h30, haverá novas reuniões da comissão especial que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de reforma da Previdência. Nesse mesmo dia, também se reúnem os parlamentares que analisam o Projeto de Lei 6.787, que propõe mudanças na legislação trabalhista.(M.M.)

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