Movimentos defendem agricultura 'limpa'
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segunda-feira, 13 de março de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba- ''Mesmo sem a comunidade científica ter decidido ainda se o transgênico faz mal ou não à saúde e ao meio ambiente, o fato é que para a economia do agricultor ele já não é mais vantajoso'', argumentou ontem o coordenador da organização não-governamental (ONG) Terra de Direitos, Darci Frigo, durante o o Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo à 3 Reunião das Partes Signatárias do Protocolo de Cartagena (MOP3) - em Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba).
De acordo com ele, a defesa de uma agricultura ''limpa'' é uma das principais bandeiras da Via Campesina - movimento internacional que levou ontem à tarde ao fórum mais de 700 manifestantes de organizações de pequenos e médios agricultores e comunidades indígenas e negras da Ásia, África, América e Europa. ''Não vale a pena usar transgênico. O problema é que o vizinho às vezes usa e acaba afetando a nossa plantação também'', criticou o agricultor Airton Sbardeloto, 45 anos, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
Até o dia 31 de março, quando encerra a 8 Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), parte dos manifestantes deve permanecer acampada no Parque Newton Freire Maia (a 20 km de Curitiba). Os movimentos sociais, ONGs e a sociedade civil não possuem poder de voto nos encontros - já que só podem participar das decisões os representantes dos países. ''Mas estamos aqui para chamar atenção para o problema da agricultura no mundo'', resumiu o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, Eduardo Baggio.
Morador de Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba), o pequeno agricultor Mário Barbarioli, 50 anos, faz parte da organização não governamental Rede Ecovida e alerta para um outro problema relacionado ao bolso do pequeno agricultor: a certificação dos produtos.
Segundo ele, os produtos orgânicos de cerca de 230 famílias pertencentes à rede ''vendem bem no Paraná'', mas sofrem restrições quando tentam avançar em outros estados porque possuem somente o certificado da Ecovida, dado pelos próprios agricultores da organização. Barbarioli explica que uma certificação feita pela Ecovida custa em torno de R$ 60,00 - enquanto que empresas certificadoras cobram até R$ 2.500,00.
''Eles criticam o fato da certificação não ser feita por 'terceiros', mas a gente exerce uma fiscalização até mais eficaz, pois enquanto as grandes certificadoras visitam os agricultores apenas uma vez por ano, a gente mensalmente conversa com os membros da rede'', argumenta Barbarioli. ''Agricultura sem transgênico vende bem, mas as iniciativas solidárias, coletivas, são massacradas por grandes empresas''.


