Brasília, 27 (AE) - Um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Gilberto Portes, disse hoje que os movimentos sociais "vão radicalizar"
caso o governo não desista do Banco da Terra e da descentralização da reforma agrária. De acordo com Portes, o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, está transformando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em uma instituição financeira, ao criar o Banco da Terra.
A avaliação do MST, disse Portes, é de que o governo vai "privilegiar" os latifundiários, que poderão negociar a venda da terra que escolherem. O coordenador não quis comentar a nova linha de crédito, que na sua avaliação vai substitutir o Programa de Crédito Especial para a Reforma Agrária (Procera), que previa desconto de 50% para todas as famílias, mesmo as assentadas há vários anos. "Para nós é uma questão de princípio não discutir os detalhes desse Banco da Terra", disse Portes, "que substitui a desapropriação por uma reforma do mercado".
Em reunião hoje, no Ministério da Justiça, Portes pediu que fosse marcado um encontro entre os representantes do Fórum da Reforma Agrária e o presidente Fernando Henrique Cardoso, para discutir o Novo Mundo Rural. O secretário dos Direitos Humanos, José Gregori, que participou da reunião, disse que Jungmann vai encaminhar o pedido de reunião ao presidente.
O ministro disse que os assentados "semi-plenos", que ainda não dispõem de toda a infra-estrutura, também continuarão recebendo financiamentos com desconto. Gilberto Portes ironizou as declarações do ministro. "Nem sei o que é semi-pleno".
O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), d. Tomás Balduíno, disse que a descentralização e o Banco da Terra "inviabilizam" a reforma agrária. "O Banco da Terra vai desfigurar todo o processo de reforma agrária", disse, "pois o governo federal está adotando a política da elite econômica".
Hoje o superintendente do Incra em São Paul, Luis Morais
informou que está cadastrando famílias interessadas nos financiamentos do Banco da Terra e há mil inscritos só dos sindicatos rurais.

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