Com 15% da população composta por negros - segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Curitiba ainda registra uma situação de preconceito racial e ‘‘esconde’’ os negros da sociedade. Mas a situação, confirmada nas pesquisas periódicas do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pode estar se revertendo. Quem garante é o presidente da Assembléia Cultural de Negritude e Ação Popular, uma das cinco entidades que formam o Movimento Negro em Curitiba, Jaime Tadeu da Silva. ‘‘Os negros estão se impondo na sociedade e hoje é um dia de refletir sobre essa postura’’, diz Silva, referindo-se ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado ontem.
Para Silva, o fato de a data ter sido desvinculada do dia 13 de maio (abolição da escravatura) no início da década de 80, abriu precedente para discutir o que é ‘‘ser negro no Brasil’’.
Na profissão há mais de duas décadas, a jornalista Dulcinéia Novaes diz que conquistou o seu espaço com muito trabalho, mas admite que já passou por situações constrangedoras por causa da cor. ‘‘Democracia racial em Curitiba ainda é uma hipocrisia’’, comenta.
O coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da UFPR enfatiza que Curitiba ainda tem um longo caminho a percorrer para abolir o preconceito. ‘‘Temos apenas uma placa alusiva à colônia afro-brasileira, escondida na Praça Santos Andrade. A sociedade não lembra dos negros’’, lamenta.
Para o sociólogo Ricardo Oliveira a população precisa resgatar a cidadania para abolir o preconceito racial. ‘‘Temos que definir o que é ser negro, já que segundo o IBGE, 59% da população brasileira se encaixa nessa definição’’.
Só este ano o Movimento Negro de Curitiba acompanhou seis processos de discriminação racial na Justiça. Para coibir o preconceito, o movimento enviou a uma organização não-governamental projeto de criação de um sistema de denúncias de preconceito racial por telefone, que ainda não tem data para começar a funcionar.

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