Curitiba - A Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Paraná encaminhou ontem um relatório preliminar ao governo do Estado denunciando a prisão supostamente irregular de três jovens que teriam assaltado um mercado na Vila Tingui e matado um policial militar que trabalhava como segurança no local.
O assalto foi no dia 27 de dezembro de 2006. Presos há 35 dias, os jovens negam que conhecessem o policial morto ou o mercado onde o assalto ocorreu. Eles relatam que estavam no Parque Atuba fazendo exercícios físicos (como era rotina) com outros amigos quando perceberam a movimentação das viaturas policiais.
''O guardião do parque falou ainda para eles que era importante que eles vazassem porque havia ocorrido um assalto dois quilômetros para frente e a polícia estava procurando os suspeitos na região'', contou Beatriz Aparecido Lara (mãe de Gustavo, de 17 anos). Os três teriam procurado um atalho por trás do parque. Eles estavam indo à casa de Janaína - namorada de Gustavo. Na frente da residência, eles foram presos. ''Eles foram jogados na viatura policial e sofreram torturas. Depois foram levados ao mercado para que as pessoas os reconhecessem. Na confusão, a caixa reconheceu e eles foram presos'', disse a mãe de Gustavo.
O filho, que é adolescente, foi o único a ser ouvido judicialmente. Nas audiências, ninguém o reconheceu como participante do suposto assalto. ''Estamos analisando o caso inteiro e nada bate. Não existem argumentos para a prisão dos meninos. Eles estavam desarmados. Não tinham dinheiro, nem drogas. Foram presos de forma arbitrária. Não fizeram exames de balística para ver se tinham pólvora nos dedos. Não existe consistência na prisão'', relatou Osni Calixto, secretário da Comissão de Direitos Humanos. Os outros dois jovens, Silas de Almeida (20 anos) e Éderson de Miranda Rosa dos Santos (18) ainda não foram ouvidos em juízo. Para os integrantes da comissão, eles negaram conhecer o policial morto ou terem ido em qualquer oportunidade no mercado.
Para eles, o caso é uma armação encabeçada por um policial militar que prometia há anos vingança contra os jovens. Éderson foi preso quando se preparava para a segunda fase do concurso da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ele havia passado na primeira fase do curso de Contabilidade. Silas trabalhava com a mãe numa grande empresa e pediu demissão para ingressar em janeiro no Grupo Positivo. Por conta da prisão, perdeu o emprego. ''Cabe até indenização contra o Estado pela prisão irregular'', alertou Calixto. Elizabeth de Almeida, mãe de Silas, também está desconsolada. ''Meu filho nunca foi do tipo que rouba. É um homem trabalhador. Sempre me ajudou em tudo. Essa prisão é um grande erro''.

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